“O que as/os psicólogas/os desejam que as/os jovens adultas/os de hoje saibam?”. Com este chamativo título, Dani Blum escreveu um estimulante artigo no The New York Times sobre uma potencial crise de “quarto de vida” e como a “geração que hoje chega à idade adulta se confronta com novos [muito complexos, acrescento], por vezes debilitantes, desafios”. Olhando o Mundo e usando da racionalidade, creio possível vermos hoje dos melhores indicadores de educação, saúde e bem-estar globais e, simultaneamente, desigualdades gritantes e desafios societais de complexidade significativa, apenas endereçáveis com mobilização global, concertação de esforços e, sobretudo, cooperação.
Como sabe, quem me lê, um dos que muito me (pre)ocupa é a crise climática (e suas consequências). Nele há trabalho desenvolvido (e em desenvolvimento) globalmente pela psicologia, a partir dos seus contributos enquanto ciência e profissão, que permitiu a participação na COP26 e outros contributos junto da United Nations (https://www.apaservices.org/advocacy/news/global-climate-policy). Não é este, todavia, o único dos desafios e este não se pode desligar de outros.
Um outro, particularmente relevante, relaciona-se com os fenómenos de ódio, racismo e xenofobia que muito condicionam a sociedade, a democracia, a coesão social e as possibilidades de saúde (incluindo psicológica) e bem-estar das pessoas e comunidades. Aqui, creio, há caminho a percorrer, particularmente num contributo mais global da psicologia.
Desde logo, conforme a American Psychological Association está a fazer, olhando, de forma crítica, o passado dos contributos e reflectindo sobre os seus impactos, alguns muito negativos. A reportagem que partilho (abaixo) relata este “confrontar sos erros para construir um futuro de equidade”, a partir de um devido pedido de desculpas e de acções de reparação do racismo histórico -convido também à reflexão sobre esta cronologia (https://www.apa.org/about/apa/addressing-racism/historical-chronology) de 1869 (com Galton, com os primeiros estudos das diferenças individuais em psicometria e emergência do conceito de “eugenia”) até 2021 (aprovação pela APA da resolução que suporta este trabalho).
Este é tema central da #APAconvention 2022. Tema central num momento do Mundo (mas também pelo que se vive em Portugal) onde é premente unirmos esforços nesta temática. A convenção será nos próximos dias na cidade onde G. Floyd foi brutalmente assassinado em 2020. Minneapolis, cidade que viu Prince nascer e “partir” para nos dar, entre outras, a música “The future” (lembram-se do Joker J. Nicholson dizer “Hey Eckhardt, think about the future!”) que Prince termina a repetir 6 vezes “Eu vi o futuro e ele será…”, acrescentando um “all right” apenas na primeira.
6 possibilidades de inovação, novas narrativas e futuros alternativos. Futuros que, com cooperação e com uma psicologia a reflectir o seu passado para projectar o futuro, existam. Sejam “all right”… para todas e todos.