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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Futuro da Psicologia Política

Noves de Maio…

Eis-nos a 9 de Maio. Nas últimas semanas, comentadores e comentadoras, têm-se desdobrado em reflexões sobre o conteúdo do discurso de Putin neste dia de parada militar na Rússia, comemorativa da capitulação da Alemanha Nazi na II Guerra Mundial. Sobre ganhos e perdas, narrativas e o “reescrever da história”, ódios e medos. Sobre volatilidade. Sobre relatividade. Sobre tudo isto com uma constante: independentemente de quem ou como se ganhe ou perca e do que isso signifique, nada, hoje e no futuro, Mundo fora, permanecerá como antes da absurda e ilegítima invasão da Ucrânia.

“Eleições: Lá como cá, a relatividade do ganhar e do perder”, 32º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) pensa a relatividade do ganhar e do perder, discutindo ganhos associados a derrotas de partidos [particularmente de direita nacionalista, populista e antissistema] em diferentes países, mas com resultados crescentes e significativos. Toca a “generalização da política do ódio e do e pelo medo” que “se espalha e alimenta em grupos e redes sociais, cujos algoritmos beneficiam mensagens assentes em emoções intensas e polarizadoras”. Toca a polarização extrema que se alimenta “do confronto claramente distendido de visões de sociedade e da transformação de adversários e adversárias em inimigas e inimigos”, rompendo pontes e “ameaçando a harmonia necessária em política e a possibilidade e a crença de mudança”. E toca a crise de direitos, da democracia e de confiança, também resultante de uma “centração permanente no caso ou exemplo particular de uma situação, seja ela uma dificuldade ou vulnerabilidade de uma pessoa ou grupo ou uma situação dúbia ou mesmo criminosa que serve de farol para classificações do tipo “nós” vs. “outras/os” ou “país real vs. país das e dos políticos ou privilegiados, para a colectivização da culpa e promoção ou legitimação de discursos e comportamentos xenófobos ou homofóbicos”.

Em resumo, mesmo com derrotas assistimos à institucionalização progressiva e naturalização de ideias e figuras políticas no espectro nacional e internacional; ao maior crédito e penetração, discussão e propagação de ideias e posições não verdadeiras, não factuais ou não baseadas em ciência; e à profissionalização das estruturas destes partidos, particularmente da sua comunicação.

Isto, lá (EUA ou França, em Itália ou Espanha), como cá, onde um candidato presidencial nacionalizou a expressão “portugueses de bem”, arrogando-se de decidir quem o é ou não é. Lá, como cá, onde “a Psicologia, no seu desenvolvimento como ciência e na sua prática, não pode ignorar esta realidade” ou não fosse “o seu objecto – aprofundar e generalizar os direitos humanos, prosseguir a possibilidade de autodeterminação e bem-estar das pessoas e grupos e a equidade, inclusão e coesão social – dependente não apenas de dimensões individuais, mas do contexto e de dimensões políticas e sociais do mesmo”.

Eis-nos a 9 de Maio, também Dia da Europa. Dia de celebrar a reflectir para preservar e promover os seus valores.

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