A 7 de Dezembro de 1972 o Apollo 17 saiu da órbita terrestre a caminho da Lua. Nesse dia, de costas para o Sol, a sua tripulação teve a iluminação perfeita para fazer a primeira fotografia (a cores) integral do Planeta Terra, fotografia icónica que estimulou a ideia do “Planeta Azul”. Passavam exactamente 960 dias do primeiro “dia da Terra”, quando a 22.04.1970 mais de 20 milhões de pessoas haviam respondido ao apelo do senador (e activista ambiental) Gaylord Nelson, juntando-se nas ruas para um enorme fórum nacional que Gaylord ambicionava “educativo e generalizado” aos EUA. Para alguns meios é, ainda hoje, considerada a maior manifestação de um único dia de sempre. Sendo-o ou não, originou o importante “Dia da Terra” (do Planeta Azul) que a 22 de Abril último cumpriu 50 anos.
A inscrição “colectiva” destes momentos é importante à reflexão do passado, presente e à projecção do futuro, particularmente em áreas e desafios societais em que a dimensão intergeracional de acção é fundamental – como acontece com a crise climática. Destes momentos, como parte da “construção colectiva” dos desafios e da resposta aos mesmos.
No último magazine da EFPA (European Federation of Psychologists’ Associations), reflicto sobre esta ideia a partir de contributos da psicologia e de duas participações minhas: a) na COP26 de Glasgow onde integrei a comitiva que representou a Global Psychology Alliance, abordando o tema dos contributos de cada país (incluindo Portugal), ciência (incluindo a psicológica) e pessoa (da e do decisor ao e à cidadã comum) a partir da ideia das partes (COP = Conferência das Partes) para a crise climática (https://efpa.magzmaker.com/march_2022/climate_change); b) na 5ª Conferência da EFPSA (European Federation of Psychology Students’ Associations) “Breaking walls, Building bridges” (“Quebrando muros, Construindo pontes”) abordando a forma como a ciência psicológica – a par de outras áreas profissionais/científicas – podem ser parte e contribuir para as políticas sociais, a intervenção comunitária e como a compreensão do comportamento humano e da tomada de decisão é, hoje, essencial ao desenho de políticas públicas dirigidas aos principais desafios societais (https://efpa.magzmaker.com/march_2022/efpa_s_corner).
Da “impaciência” de Saramago à “insurreição” de Frei Bento Domingues contra “tudo o que está mal”, importa mobilizar todas as “partes” e usar do sentido de urgência do momento. A psicologia é parte, parte importante. A consciência (colectiva) e a inspiração também. Porque problemas complexos e sem fronteiras precisam de respostas congregadoras, transnacionais e inspiradoras… Conforme é o Dia da Terra, a foto do Planeta Azul e a missão Apollo-Soyuz que, comemorando o fim das missões Apollo (com a 17ª), teve como objectivo afirmar a relação pacífica entre EUA e URSS, com tripulações de duas naves dos “blocos” a visitaram a “outra” nave/bloco, trocando presentes, galhardetes e sementes de cada país. Congregando-se. Inspirando-se.