Da junção das palavras gregas “pálin” (novamente) e “dromos” (caminho/estrada) resulta a expressão palíndromo que descreve elementos com simetria linear, logo com o mesmo significado quando lidos da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Existem números palíndromos (também apelidados de capicua) e existem palavras e datas palíndromos – a última desta década o dia 22.02.2022.
Nesta simbólica data a Líder – Ideias que fazem futuro publicou uma entrevista que a Rita Saldanha me fez a propósito do aproximar, naquele momento, da passagem de dois anos sobre a criação do gabinete de crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses que coordeno.
“O caminho para uma melhor saúde mental em Portugal”, assim titulada a entrevista que agora partilho, trata este balanço de dois anos de actividade e contributo, a (des)informação, a importância da capacitação e desenvolvimento de pessoas e comunidades, a literacia em saúde e em saúde psicológica, a saúde mental (e a saúde mental nas organizações), o papel das lideranças e as possíveis prioridades para o Mundo depois desta gravíssima crise pandémica que ainda vivemos.
Uma entrevista onde afirmo que a “boa informação previne a má informação”, que o “controlo e a previsibilidade” são “variáveis fundamentais para a saúde e bem-estar”, que é fundamental que “a sociedade seja amiga [das pessoas em sofrimento psicológico], sem culpabilização ou estigmatização, para que a pessoa possa encontrar uma ajuda e com isso florescer novamente”. Onde afirmo, também, que as organizações devem desenvolver capacidades e ter recursos que lhes permitam a “adaptação e superação”, que precisam de “confiança e coesão”, “de tempo” e que “ficaria muito surpreendido se nos próximos anos não tivéssemos um movimento de reconhecimento de organizações que promovam a saúde e bem-estar, até pelas/os consumidoras/es”.
Menos de 48 horas depois da publicação da entrevista começava a invasão da Ucrânia pelas tropas russas e o escalar do conflito para uma perturbadora Guerra, na Europa e no século XXI, com todas as consequências que observamos ao longo dos já mais de dois meses corridos e que sabemos virem a existir no futuro. Também, durante a pandemia, estreou o “Tenet”, filme de C. Nolan inspirado no “Quadrado Mágico”, conjunto de 5 palavras latinas encontrado nas ruínas de Pompeia e que incluem a palavra/título palíndromo do filme. O filme trata, exactamente, o tempo e a possibilidade de se caminhar do presente para o futuro mas também do presente para o passado e como, naquela história, esta possibilidade resulta no evitar de uma possível 3ª Guerra Mundial “desejada” por um oligarca russo.
Como refere M. Atwood ao Expresso de hoje, é mesmo “um acto de esperança assumir que haverá futuro”. Esperança que apenas poderá resultar da inscrição do passado e da reflexão sobre ele no sentido de pensarmos o presente e perspectivarmos o futuro. Um futuro de Paz e de bem-estar para todas e todos com um “novo caminho” para a saúde mental.