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Visão é significado; Significado é história.

Como eu, certamente têm autoras/es, cantoras/es, séries, filmes ou lugares a que, ao regressarem, sentiram terem gostado menos que quando os leram, ouviram, viram ou sentiram na primeira vez. Assim senti com a série “True Detective”, cuja 1ª temporada é (a meu ver) muito mais interessante que a 2ª e que tem num episódio uma frase de imenso impacto em mim que aqui destaco: “visão é significado; significado é história”. Se assim foi com a série, assim não é com a “minha aldeia” (Lapas), onde permanece parte significativa da minha família e parte do significado (da [minha] história), conceito de uma importância e complexidade extrema, pelo que releva e revela do que nos sucede e damos valor, e porque não sendo objectivo (não existe fora de nós e não é absoluto) também não é subjectivo (não resulta da construção de uma única pessoa).

Uma parte deste significado é co-construída e partilhada também por rituais repetidos, entre comunidades e gerações. Um, a leitura, ora profunda ora de soslaio, do jornal local que a cada 6ª feira entrava nas casas de tantas pessoas da minha aldeia e, em cima daquela mesa (como de tantas outras da aldeia) passava dias até ser substituído pelo novo que chegava na semana seguinte. Falo do jornal “O Almonda”, semanário com 5394 edições, sempre presente no meu dia-a-dia e imaginário de infância/juventude e portador de notícias e informações que me eram indiferentes, claro está, mas também de algumas das melhores (dos meus próprios resultados desportivos aos filmes que chegariam à cidade na semana seguinte) e das piores notícias daqueles momentos (talvez de sempre).

E sim, são mais de 100 anos de edições semanais, iniciadas no duplamente simbólico 1918 – ano do final da I Guerra Mundial e de início da pandemia da gripe pneumónica. Curiosamente, 104 anos depois, uma entrevista (contributo) minha fez capa da edição de 01.04.22 destacando que a “Pandemia e [a] guerra na Ucrânia agravam saúde mental dos portugueses”. Outra pandemia e outra guerra, mais de 100 anos depois, a lembrarem-nos com violência e sofrimento que a história pode repetir-se e o quanto as consequências da repetição resultam da forma como (com que recursos e vulnerabilidades) enquanto pessoas, comunidade e sociedade chegamos às crises e adversidades. Na entrevista reflicto sobre estes aspectos, destacando o que podemos fazer, ao que devemos estar atentas/os, que estratégias podemos mobilizar e que apoios são essenciais disponibilizar. Discuti o acolhimento de pessoas em situação de refugiada/o, as crianças/jovens, o futuro e como é essencial promover a saúde mental.

Um pequeníssimo (mas empenhado e emocionado) contributo meu para a minha comunidade conforme os que recebi, alguns de pessoas que sei que agora me leram. Também porque creio que a visão (futuro) também é o significado que damos à nossa história (passado), reconhecendo o seu papel e retribuindo como posso para a co-construção desse significado. Partilhado, significativo.

 

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