Tenho reflectido muito sobre o aparente paradoxo de, em parte significativa do Mundo existir, hoje, uma discussão ampla sobre a importância da saúde mental e bem-estar e, até, acções mais significativas de suporte às populações neste âmbito, mas, simultaneamente, os indicadores nesta área apresentarem números crescentemente preocupantes e a percepção da população sobre o apoio nesta área ser muito baixa.
Há um conjunto de razões que, creio, apoiam a compreensão deste aparente paradoxo que se reflecte em diversas áreas, da saúde mental da população jovem à saúde mental e bem-estar no trabalho. Um recente trabalho da Gallup assinalava que, apesar da maior “preocupação com a saúde mental” e do crescimento de “iniciativas de bem-estar e programas de assistência”, a “percentagem de trabalhadoras/es que concordam fortemente que a sua organização se preocupa com o seu bem-estar geral atingiu um recorde negativo de 21% no início de 2024”. Este foi o valor mais baixo dos últimos 15 anos.
Apesar das limitações do estudo creio interessantes as propostas que apresenta às organizações para mitigar o tal paradoxo: avaliarem o impacto das acções e recursos que disponibilizam; expandir as estratégias de bem-estar para abarcarem os diversos elementos do bem-estar e a cultura da organização; e integrar o bem-estar nas “conversas”, em particular das lideranças.
Sobre esta necessidade partilhei convosco há cerca de um mês uma conversa com a Diana Bouça-Nova, aquando do Dia Mundial da Saúde Mental, este ano dedicado à saúde mental no trabalho.
Hoje, num outro exercício com o mesmo objectivo maior – reforço da literacia, da compreensão sobre estes fenómenos e sobre o seu impacto e sobre o que, de acordo com a melhor evidência científica disponível, pode ou não pode funcionar e porquê – partilho um episódio do “Fact Check da Saúde” – Canal S+
Versou a saúde mental no trabalho e com a Filipa Palha, sob moderação do Vasco Domingos e convite do João Maria Condeixa (a quem agradeço a confiança), coube-me abordar a relação dos factores profissionais com a saúde mental, as dimensões da conciliação entre vida pessoal e familiar e profissional ou o retorno potencial de iniciativas baseadas na evidência no bem-estar, produtividade e desenvolvimento organizacional.
Convido-vos a ver. Convido-vos a participar nesta reflexão e conversas que devem, a bem de todas e todos creio, ser aprofundadas.