O www que quotidianamente utilizamos para acedermos a sítios na internet, representa o termo “world wide web”, um sistema de documentos interligados entre si e executados a partir da internet. Nos últimos anos, embora com algum questionamento e debate científico, vem-se falando de outro www, o “wood wide web”. Assim chamada, ou usando-se do termo mais técnico (“rede micorrízica comum”), refere-se a uma rede subterrânea de fungos (e bactérias) que, aparentemente, conectam várias árvores e plantas, permitindo via raízes a troca de nutrientes e informação química.
Pensei neste termo, neste fascinante mecanismo, na cooperação, na interligação, relação e conexão e nas “raízes”, ao ver o documentário “MUS-E: 25 anos em Portugal”. Gravado há já algum tempo, é certo, passou na @RTP 2 na passada sexta-feira, curiosamente no dia seguinte das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974.
Documentário que trata um programa e um conjunto de projectos que em tudo se relaciona com a Liberdade, a equidade e o acesso. Fundado pelo compositor, violinista e humanista Yehudi Menuhin, a rede MUS-E interconecta Escolas de diferentes países na Europa comprometidas com um projecto de inclusão escolar e social de crianças e jovens em contextos de especial vulnerabilidade, a partir das expressões artísticas e do seu potencial de transformação e aproximação de comunidades, culturas e pessoas.
Promovido em Portugal pela Associação Yehudi Menuhin Portugal, associação a quem muito devo. Foi pela confiança que em mim depositou que pude trabalhar – o meu primeiro trabalho, a par das minhas funções há época enquanto Assistente Convidado da @Universidade de Évora – enquanto psicólogo e coordenador de um projecto financiado pelo Programa Escolhas numa Escola e comunidade em Évora. Associação a quem procuro retribuir, através do meu compromisso com os valores, o legado do projecto e o, hoje, singelo papel que tenho na sua direcção.
Mas voltemos ao documentário que “dá” imagem e som, também, a essas minhas raízes, mas, principalmente, a esta interligação e relação, trazendo as caras das pessoas que o inspiraram, fizeram e fazem, na Europa e em Portugal. Aqui, no meu contributo por via da minha participação do documentário procuro focar, essencialmente: o privilégio de poder ter acompanhado e sentido, em primeira mão, os processos de transformação que gera, nas e nos alunos e na Escola; e o sentir da diversidade, enquanto desafio, mas enquanto riqueza maior da vivência em sociedade e no Mundo.
Deixo em seguida um www para o documentário. Um www para acesso às crianças, às e aos professores, artistas, coordenadoras/es e dirigentes que fazem este bonito projecto e procuram cumprir, dia-a-dia, o bonito sonho do Menuhin.