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Ao redor... (Revista Sábado) Ordem dos Psicólogos Portugueses Psicologia

Trabalhar…

“Viver para contá-la” de G.G.Márquez é, para mim, um dos mais impactantes títulos de livro. Viver para contar a vida e na vida (contá-la). Viver para conjugar a vida e na vida (conjugá-la). A viver, conjugamos. Procuramos, com dificuldade e desafio, harmonizar diferentes interesses, escolhas e papéis. Conciliar, por exemplo, a nossa vida pessoal com a nossa via profissional. A contar, conjugamos. Verbos. Por exemplo, o trabalhar que, pela centralidade e importância que assume na nossa saúde e bem-estar, nos faz caminhar em dois contínuos de verbos: adoecer–florescer; confranger–desenvolver.

“Trabalhar – Pensar um verbo da primeira conjugação através de quatro verbos da segunda conjugação”, 26º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte destes dois contínuos para reflectir sobre como a “great resignation” e o mercado laboral jovem na Europa nos conferem pistas sobre (novas) expectativas/exigências de trabalhadoras/es, nomeadamente locais de trabalho saudáveis e avanços da ideia do trabalho como direito para a perspectiva da dignidade, propósito e florescimento no trabalho como direito. Caminho, não apenas desígnio ou objectivo irrealizável.

É realizável e há significativa evidência científica que o demonstra, algo cujas campanhas locais de trabalho saudáveis da EU-OSHA sublinham ao insistirem que um dos investimentos com maior retorno em produtividade, redução de absentismo, de abandono laboral e de erros/acidentes laborais é a prevenção/gestão de riscos psicossociais associados ao trabalho, nomeadamente o stresse, depressão e burnout [esgotamento].

É realizável e há profissionais preparadas/os e motivadas/os para participarem neste processo, conforme a DGS afirma no guia “Vigilância da saúde dos trabalhadores expostos a fatores de risco psicossocial no local de trabalho”, ao sugerir o fomentar de “processos de articulação e o trabalho integrado entre os diversos profissionais que integram os Serviços de SST/SO, nomeadamente médico do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico (superior) de segurança do trabalho, psicólogo do trabalho e outros profissionais (ex. assistentes sociais, ergonomistas, entre outros)”.

É realizável e há práticas já instituídas que o demonstram, com ganhos para todas as partes envolvidas, desde a organização a trabalhadoras/es, incluindo lideranças e a sociedade. Práticas que a OPP volta a reconhecer na 4ª edição do “Prémio Healthy Workplaces–Locais de Trabalho Saudáveis”, cujas inscrições (gratuitas) decorrem até 18.2 em maisprodutividade.org

Estando as organizações mais despertas para a centralidade destas questões, é fundamental que as estratégias que adoptem sejam integradas e suportadas em evidência e não baseadas em acções esporádicas e não cientificamente sustentadas. Acções que, contribuindo para maior produtividade e competitividade, permitem às pessoas e ao país mais desenvolvimento e prosperidade, maior sustentabilidade dos serviços públicos, coesão social e possibilidade de bem-estar para todas e todos.

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