Fascina-me pensar o comportamento humano, a sua diversidade (mas também as suas tendências) e os factores que o determinam. Ainda que com reflexão crítica, interessa-me o estudo de (grandes) dados que o permitem e que permitem formular pistas para a sua compreensão, particularmente numa base temporal ou pré/pós-acontecimentos. Uma ferramenta que o possibilita, não sem limitações, é o “Google Trends” utilizado nos estudos de Seth Stephens-Davidowitz (que já aqui abordei) ou do “Behavior Change for Good Initiative”. Três das suas investigadoras, partiram de pesquisas dos termos “dieta”, “visitas ao ginásio” ou “como cumprir objectivos”, observando-os como mais frequentes no início da semana/mês, depois de férias/aniversários e, principalmente, no início de um novo ano, descrevendo o “fresh start effect” e como marcos temporais podem motivar mudanças de comportamento. Sendo assim (assim sentimos), sabemos que parte destas mudanças se perdem (umas nunca concretizadas; outras que, concretizando-se, não conseguimos manter). Ora, de várias estratégias que podemos mobilizar para melhor concretizarmos as mudanças a que aspiramos destaco 2: sermos realistas e “mudarmos” com outras pessoas e não “sós”.
Conforme a psicologia contribui com este conhecimento, é importante que o utilizemos na própria psicologia. Assim, e porque creio realista mas só possível se numa mudança “não só”, aqui partilho a base da minha intervenção na abertura da Psicarreiras On.Summit (OPP; 02.12.2022) focada em como o presente desafia “passados” da psicologia (a dúvida na escolha das áreas das e dos psicólogos na Academia; os limites da intervenção à distância; o foco na intervenção mais micro, individualizada e remediativa face a intervenções mais macro, comunitárias e promotoras/preventivas; o fechamento face à interdisciplinaridade) e numa proposta de mudança de paradigma. Uma mudança de uma psicologia que, enquanto ciência e prática, se afirma numa determinada área para uma psicologia que, como ciência e prática, se concretiza, no contributo das suas áreas e em relação com outras disciplinas, numa dificuldade/problema de uma pessoa ou num desafio societal. Da psicologia clínica à crise associada aos níveis de depressão da população mundial. Da psicologia da educação à necessidade de promoção do bem-estar de estudantes. Da psicologia comunitária aos complexos desafios da erradicação da pobreza ou da inclusão. Da psicologia do trabalho e das organizações ao desafio da conciliação da vida pessoal -profissional. Uma psicologia sempre próxima das pessoas. Uma psicologia proactiva e interventiva, contribuidora para os complexos desafios societais.
Mudança realista mas, só possível, se conjunta. Mudança que beneficia de outra estratégia de promoção da efectividade das resoluções: a partilha das mesmas, algo que aqui faço convosco que, muitas vezes sem o sentirem, tanto me ajudam a reflectir e a procurar, com humildade, contribuir para pequenas mudanças que julgo socialmente relevantes.