Categories
Política Psicologia

Psicoterapia, sociedade, poder e política – Podcast “Psicoterapia na torre de Babel”

Em 2006 Inãrritu mostrou-nos Babel. Terceiro filme de uma desafiante triologia – Amor cão (2000) e 21 Gramas (2003) – confronta-nos com quatro histórias em tudo distantes (geografia; condições sócio-económicas; expectativas) mas relacionadas entre si na e pelo trágico. “Percebi que o que nos torna felizes como seres humanos pode ser bastante diverso mas que o que nos torna vulneráveis e miseráveis é o mesmo” disse Iñarritu para justificar porque Babel é um filme “sobre o que nos une e não sobre o que nos separa”.

“A psicoterapia na torre de Babel” é um podcast sobre o que nos une… Parte da ideia, do empenho e do entusiasmo da Constança Biscaia e do David Dias Neto (com o apoio da APTCCI – Associação Portuguesa de Terapias Comportamental, Cognitiva e Integrativa) e tem como fim suscitar reflexão a partir de diálogos sobre “as ligações entre a psicoterapia e domínios como a arte, filosofia, ciência.” Um dos episódios/diálogo (que agora partilho) tratou a “Psicoterapia, sociedade, poder e política” e resulta de uma conversa entre mim e o David Dias Neto moderada e estimulada pelo Telmo Mourinho Baptista, duas pessoas com que muito admiro e com quem muito aprendi, aprendo e aprenderei.

Pensamos a “contradição” entre uma intervenção que visa a mudança (individual) e praticada junto do individuo no seu papel de interacção com a sociedade e o que isso significa na necessidade da sua disseminação e maior acessibilidade, também pela reflexão sobre princípios psicoterapêuticos, pela intervenção em contextos e com públicos que o facilitem e pelo reforço da identidade e da solidez dos princípios éticos e deontológicos da intervenção. Falamos como a personalização, o significado, a literacia e o poder influenciam a acção das e dos decisores políticos nesta área. Como a eficácia e eficiência das intervenções é essencial e como temos que investir em demonstrá-las e generalizar esse conhecimento e continuar um caminho de fazer transformar a dictomia assente no modelo biomédico de doença vs ausência de doença (mental) para uma ideia de bem-estar e de florescimento. De liberdade, responsabilidade (auto-contenção, hetero-contenção e auto-regulação), ganho de autonomia e empoderamento. De crescimento, crise e transformação, também nas organizações. De aceitação, abertura à e ao outro e à possibilidade de mudança. De equidade, de coesão social e dos riscos do populismo. Terminamos com os contributos da ciência psicológica para uma “melhor sociedade” e com a necessidade de assumirmos o “poder” que pode(mos) ter nesse processo partindo da auto-confiança e de uma ideia de “poder empático”, assente em auto-crítica.

Uma conversa que foca como diferentes línguas se intersectam numa complexidade que, também como no filme, nos desafia.

Ps. Deixo a nota de que existem outros episódios do podcast já disponíveis (Psicoterapia e meios de comunicação social; Psicoterapia e arte; Psicoterapia e corpo; e Psicoterapia e culturas) e outros vêm a caminho.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *