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Ao redor... (Revista Sábado) Política Psicologia

Confiar, confiar…

. Permanecer membro da União Europeia ____

. Sair da União Europeia ____

Todo o processo associado ao referendo que resultou no apelidado “Brexit” é, a meu ver, merecedor de atenção e reflexão ao concentrar em si e concretizar três fenómenos com forte impacto na nossa sociedade: 1) a simplificação, normalmente polarizada, de questões complexas, algo que se observa nas “simples” opções de resposta no referendo face à questão complexa relativa à relação do UK com a UE; 2) o julgamento, normalmente polarizador, que pessoas com uma posição assumem face a pessoas com outra posição, assumindo-se como as boas (face as más), as sensíveis (face às insensíveis) ou as morais (face às imorais); 3) o aproveitamento, normalmente alheio ao bem-comum, da incerteza e destas polarizações de pessoas com o fim único de se garantirem recompensas imediatas para si ou, quando muito, para o seu grupo (políticas, ideológicas ou outras), sem pensar nos impactos negativos desse aproveitamento nas instituições ou na sociedade a médio e longo prazo.

“Pessoas, ciência, políticas, instituições – Confiança”, 21º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) procura discutir a crise de confiança que trespassa várias áreas da sociedade, desde as suas instituições, às políticas, à ciência e às pessoas e como, a velocidade e a forma de acesso e disseminação de (des)informação, a par da crescente polarização da e na sociedade, forçam uma forte e circular associação destas crises de confiança. Uma associação que “gera maior fragmentação na sociedade, pelo foco e reforço sistemático do que funciona menos bem (face ao que funciona bem), dos problemas (por oposição às soluções), da irracionalidade e obscurantismo (por oposição à racionalidade e factualidade) e de posturas de confronto (por oposição às de cooperação) e de estigmatização (por oposição à compreensão, empatia e compaixão).”

Em qualquer momento, mas particularmente em momentos de complexidade e incerteza, o confronto com as “nossas vulnerabilidades, enquanto pessoas, comunidades e país, deve sobressaltar-nos para nos envolvermos nas diferentes dimensões da sociedade, para nos mobilizarmos e para desenvolvermos relação e confiança, com pessoas, com a ciência, as políticas e as instituições”, enquanto “melhor garante e “escudo” em períodos em que grandes desafios societais se nos afiguram como “balas” contra o bem-estar, a equidade e a coesão social.”

Cumpre-nos promover e manter “consenso social consentâneo com a necessária mitigação do impacto potencial na confiança de pessoas que usaram, usam e usarão de quaisquer poderes para diminuir outras pessoas, da pseudociência ou do obscurantismo, do ataque, desconsideração e utilização de políticas e/ou da fragilização das instituições para se afirmarem.

Cumpre-nos, “contra os canhões”, além de “marchar, marchar”, confiar, confiar.

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