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Reversibilidade – Psicologia e Crise Climática

“Aquela música faz-me sentir…”

Estou certo que por vezes associa uma música (banda; tipo de música) a um estado emocional. Ouvimo-la e… Ou sentimos e ouvimo-la? Com alguma simplicidade, podemos enquadrar nesta questão a reversibilidade enquanto possibilidade de olhar dois polos opostos: ouvimos aquela música e ela faz-nos sentir tranquilas e tranquilos ou estamos tranquilas e tranquilos e procuramos aquela música? A reversibilidade, num Mundo de questões complexas, é, enquanto competência e no seu simbólico, algo fundamental que deve ser preservado e estimulado numa perspectiva de procura de (mais) caminhos, contributos e soluções ao invés de afunilarmos em visões únicas e sem alternativa.

Por estes dias, e pelo que tem também sido a minha reflexão sobre a questão da crise climática, tenho pensado bastante na reversibilidade. E, de certa forma, por ela comecei (e continuei) uma participação que partilho no programa Esta Manhã da TVI onde conversei com Iva Domingues sobre psicologia e crise climática. 

É que – sendo a psicologia a ciência que estuda o comportamento (causas,  consequências, mudança) e tomada de decisão e a profissão que, ao longo de todo o ciclo e nos diversos contextos de vida, procura promover a autodeterminação de todas e todos e garantir mais oportunidade de bem-estar, equidade e coesão social – quando me perguntam como está ligada à crise climática o meu pensamento vai no sentido de responder como poderia a psicologia não estar ligada a uma crise como a climática se: 1) para a compreendermos e explicarmos precisamos de compreender como as pessoas se comportam e tomam decisões? 2) para a prevenirmos e mitigarmos te(re)mos que mudar a forma como viajamos, comemos, produzimos, consumimos, partilhamos, trabalhamos ou utilizamos os recursos à nossa volta? 3) para nos adaptarmos ao futuro e às mudanças precisa(re)mos de desenvolver resiliência nas pessoas e comunidades, responder à incerteza, à ansiedade, às iniquidades e outros desafios (como as migrações) que trará? 4) precisa(re)mos da intervenção das psicólogas e dos psicólogos no apoio psicológico e suporte emocional às pessoas vítimas de catástrofes mais frequentes e intensas nas próximas décadas? 5) o seu conhecimento é fundamental ao desenho de políticas públicas neste âmbito, à acção na percepção de risco e à comunicação com pessoas e comunidades?

Mais, reversibilidade para não cairmos em inevitabilidades que redundam em inacção e para, apelando à urgência da mudança, não esquecermos os (ainda que ténues) sinais positivos à nossa volta (como dela se falar às 07.50h na TVI). Para não fazer a mudança contra as pessoas, mas com as pessoas. Para lembrarmos que na mudança não há apenas perda de qualidade de vida e que ela pode (co)existir com bem-estar.

A crise climática é um problema social complexo que precisa de uma resposta social, motivada pelas pessoas e comunidades. Uma resposta que não pode deixar ninguém para trás para ser bem-sucedida. Que só pode ser bem-sucedida.

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