Faltam poucas horas para o encerramento da campanha eleitoral e “momentos extraordinários exigem um texto diferente”. Um texto sobre “contributos da psicologia para soluções para os desafios das pessoas e da sociedade e de como os programas dos partidos e, principalmente, um debate político o reflectem”.
“Legislativas 2022: A Psicologia a contribuir para soluções nos programas e no debate político”, 25º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) parte de um debate (20.01) entre representantes de 8 dos 9 partidos/grupos parlamentares representados na Assembleia da República no início da última legislatura, organizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e moderado pela jornalista Maria Flor Pedroso. Debate assente num contributo científico da OPP que procurou compilar um conjunto de propostas para as Legislativas 2022 no sentido da tomada de decisão e do desenho de políticas públicas que promovam a saúde psicológica, factores de competitividade e resiliência, o bem-estar, o desenvolvimento das pessoas e do país e a coesão social.
Nos programas e no debate três constantes: a saliência, a relevância e a importância da saúde mental, hoje consensual na sociedade portuguesa, do “Presidente da República ao cidadão mais comum”; a importância das/os psicólogas/os nela, conforme resulta claro do seu empenho, dedicação e “trabalho ao longo da pandemia”; e a necessidade imperiosa de melhorar o acesso das pessoas aos seus serviços, em diversos contextos, ao longo de todo o ciclo de vida, de forma simples, rápida e próxima e não apenas no sentido da remediação de problemas, mas, particularmente, da prevenção e da promoção de saúde e bem-estar”. Constantes a que se soma uma inquietação: “a necessidade de, ao fim da pandemia, não corresponda o fim desta saliência e relevância da saúde mental, porque fundamental para as pessoas sempre, mas também porque os tempos da “saúde sanitária”, são distintos dos mais distendidos tempos da crise económica e, particularmente, social que a acompanha e lhe sucede e, mais ainda, do tempo dos problemas de saúde psicológica (por ela agravados) e das perturbações das pessoas dela decorrentes (as novas e as que se aprofundaram).”
Do debate sobressai o “papel da psicologia nos objectivos do desenvolvimento sustentável e da saúde mental como factor fundamental de desenvolvimento humano”.
“Que o país e que quem se propõe governá-lo, saiba as/os 25 mil psicólogas/os preparadas/os, empenhadas/os e motivadas/os para contribuir para comunidades, cidades e um país com mais bem-estar, equidade e de maior coesão social.” Como saiba que, promover a participação implica que, quem (pode) vota(r), “se sinta representada/o, envolvida/o e que o seu voto conta e possibilita a construção de soluções partilhadas para os seus problemas e de oportunidades para cumprir as suas expectativas”.
Votemos, pelo presente e pelo futuro.