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Personalização e compromisso – Dos partidos às políticas

Allerweltspartei. Previsivelmente, poucas e poucos conheceremos esta palavra. Original alemão do mais vulgar em inglês catch-all party, significa (tradução minha) partido (político) “onde todas e todos cabem”. Partido “de massas”. Conceito sempre problematizado, explanado por Kircheimer em 1966 para descrever partidos que, por serem de largo espectro e menos ideológicos, procuravam atrair o maior número possível de pessoas. Partidos actualmente, embora a ritmos diferentes, em perda e quebra um pouco por toda a Europa face a partidos políticos que, mais individualizados e singularizados, se centram em causas e se dirigem a grupos específicos de pessoas, originando maior fragmentação política.

“Personalização e compromisso – Dos partidos às políticas”, 19º artigo da rubrica “Ao redor…” (Sábado) reflecte sobre esta fragmentação a partir de dois fenómenos que nela considero essenciais: a forma como hoje se produz, dissemina e se contacta com informação e, nesse sentido, com desinformação; a enorme disponibilidade de dados e de algoritmos e ferramentas de tratamento de dados, que, cada vez com mais eficácia e menor custo, preparam e personalizam a informação para cada pessoa e grupo de pessoas. Procura, também, reflectir sobre o impacto destes fenómenos na maior volatilidade das votações; quebra de confiança; e na emergência de lideranças providenciais, salvíficas, populistas e de perfil mais autoritário.

Procura, depois, olhar a “outra face da moeda” e a possibilidade destes fenómenos, se utilizados com outro fim (bem-comum), produzirem efeitos também significativos mas na melhoria da qualidade de vida das pessoas, na sua possibilidade de bem-estar e na coesão social, nomeadamente se utilizados para uma maior personalização das políticas públicas, tornando-as mais contingentes, baseadas nas singularidades das pessoas e, por isso, mais eficientes e eficazes – abordo, com propostas, o exemplo das políticas de emprego estagnadas há décadas no seu modelo. Discuto, ainda, a importância de uma atitude de compromisso entre partidos, pela construção de espaços de entendimento centrados na abertura, na empatia com as pessoas e as e os adversários e no desenvolvimento de competências que permitam entregar e receber melhor críticas construtivas capazes de influenciar o comportamento, a tomada de decisão e as negociações.

Fecho apelando a que a um certo colocar em causa dos Allerweltspartei corresponda um colocar em causa das Allerweltspolitik, políticas catch all. Porque, se o pluralismo e a diversidade das pessoas e das sociedades ameaçam os partidos de massas, o pluralismo e diversidade das pessoas invalidam políticas de massas. Precisamos, de transformar e personalizar as políticas. Personalizar com criatividade, persistência e compromisso. Compromisso entre políticas públicas e pessoas. Entre partidos políticos e pessoas. Entre políticas públicas. Entre partidos. Pela confiança e pelo bem comum, defesas últimas das consequências da fragmentação e polarização das pessoas e sociedades.

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