A semana termina com a humanidade a já ter consumido a totalidade de recursos disponíveis no planeta para todo o ano. “Se tivéssemos necessidade de ser alertados da emergência climática e ecológica com que estamos confrontados, o dia da sobrecarga da terra encarrega-se disso” disse Susan Aitken, presidente da Câmara Municipal de Glasgow que regerá a COP26. Dia que, após chegar 3 semanas mais tarde em 2020, volta à sua preocupante e perigosa trajectória (29.12 1970; 04.11 1980; 11.10 1990; 23.9 2000; 7.8 2010; 29.07 2021). Em 2021 precisávamos de 1,7 planetas Terra para satisfazer as necessidades da população mundial, afirmou a ONG responsável pelo indicador que resulta do (des)equilíbrio entre a pegada ecológica da actividade humana e a “biocapacidade” do planeta.
Uma semana antes a TSF promoveu um Fórum (“O que devemos fazer perante as alteações climáticas? Agir é preciso.”) que, sucedâneo às graves inundações no Centro da Europa, nos confronta com o nosso papel na emergência climática. Já por aqui escrevi sobre isso no momento da organização com a APA de uma Summit que, sobre este tema, reuniu em Portugal organizações representativas de mais de 1 milhão de psicólogas e psicólogos de todo o Mundo.
Na minha participação no Fórum sublinhei a importância da literacia e saliência deste tema e da reflexão sobre os “incentivos” e “obstáculos” que se colocam à mudança, para que sobre uns e outros possamos agir, reduzindo os atritos para promover e facilitar as difíceis e exigentes mudanças – “tem que ser fácil reciclar, comprar produtos locais, movimentarmo-nos de bicicleta, utilizar menos plástico” e para isso devemos utilizar “incentivos, mobilizadores e normas sociais e até o papel que as crianças e jovens podem ter na mudança de comportamentos”.
Abordei também a forma como a saúde psicológica e identidade (social) condicionam a mudança e o impacto da crise climática na própria saúde psicológica, quer no que se refere às pessoas e comunidades que se confrontam com perdas, lutos e trauma resultantes de situações de catástrofe, quer da própria “eco-ansiedade”. Refiro, ainda, a necessidade e urgência de se trabalhar com as comunidades mais expostas a estes fenómenos, formas de organização e resposta a situações de crise e catástrofe, promovendo a resiliência individual e social.
Sabendo-se que “a informação pessoal, mais imediata, concreta e local é mais eficaz que as estatísticas globais (as cheias da Alemanha também são as do nosso Tejo; os incêndios dos EUA os nossos incêndios rurais)” devemos utilizá-la, promovendo um consumo mais consciente de recursos e o reforço da empatia com as comunidades que mais sofrem com esta grave crise, sempre tendo presente que devemos procurar mudanças com as pessoas e não contra as pessoas, pelo bem-estar e não contra o bem-estar. Mudanças para que precisemos apenas de 1 planeta, de 1 planeta com futuro.