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COVID-19 Desafios da Psicologia

Estado da Nação, 2021

Estado da Nação 2021. Neste final de tarde passam 500 dias sobre o momento em que a Presidência da República informou que o Presidente da República permaneceria duas semanas em isolamento profilático depois de uma turma de uma Escola de Felgueiras ter participado na iniciativa “Artistas no Palácio de Belém”. Estávamos num Domingo (8 de Março de 2020) e tínhamos apenas ainda cerca de 30 casos positivos de COVID-19 confirmados em Portugal (incluindo na referida turma) e, este acontecimento, vinha reforçar a narrativa do “vírus democrático”, que a todas e todos podia infectar. Assim era e é, embora exista cada vez mais diferença no nível de protecção entre diferentes pessoas. Assim não era, não é e não será para os impactos da crise pandémica que vivemos, nas suas múltiplas consequências, onde pela desigualdade e vulnerabilidade, pessoas e grupos populacionais são muito mais e muito mais duradouramente impactados.

500 dias. Cerca de 6 vezes menos dias face aos que passam (3063) desde 2 Março de 2013. Aí vivíamos, também um fim de semana (mas um Sábado), onde um pouco por todo o país muitos milhares de pessoas (mais de um milhão, segundo quem organizou) saíram às ruas do país para demonstrarem o seu descontentamento com a grave crise socioeconómica que vivíamos e os impactos, também eles desiguais, no presente e para o futuro que comportavam. Foi um momento, por simbólico, marcante do desafio que o país vivia.

Duas impactantes crises e dois grandes desafios em duas décadas essenciais ao Estado (actual) da Nação. Também dois, mas (importantes) estudos – “Portugal, Balanço Social” de uma equipa da Nova que sublinha que “os grandes agregados macroeconómicos refletem o impacto sem precedentes da pandemia na economia Portuguesa”; e “Governar em Estado de Emergência” de uma equipa do ISCTE que assinala o acentuar das desigualdades e de “discursos pouco democráticos” mas também a “capacidade de adaptação dos serviços (públicos)” – foram recentemente apresentados e auxiliam o momento de reflexão (Debate do Estado da Nação 2021) que está a terminar na Assembleia da República.

Momento a que me associo para, também pela experiência da primeira crise que vivi enquanto ainda jovem adulto, desejar que: 1) ao contrário dessa crise, nesta não se descure o papel da saúde psicológica e da recuperação das pessoas no país (alguém se lembra dessa dimensão ser debatida e investida aquando dessa crise?); 2) reforçar o combate aos factores promotores e reforçadores das iniquidades e desigualdades enquanto garante de coesão social e resiliência pessoal e social; 3) reforçar e promover a confiança nas pessoas, nas instituições e na sociedade; 4) termos sempre presente que 3) não é possível sem 2) e 2) não é possível sem 1).

Sem as pessoas, as instituições e sem coesão social não se ultrapassam crises e desafios societais. Sem confiança das pessoas nas pessoas, das instituições nas pessoas e das pessoas nas instituições não se ultrapassam crises e desafios societais.

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