Voltei recentemente ao canal Canal S+ para, com a Irina Gomes, gravar um novo episódio do “Descubra as Diferenças”, agora para a sua 2ª temporada.
Há alguns meses havia gravado um outro, relativo ao binómio “revolta-apaziguamento”, que por aqui partilhei numa publicação que assim terminava: “Finalmente, um conselho para quando nos sentirmos revoltados? [havia-me sido pedido] Tentarmos definir exactamente o que nos está a fazer sentir o que estamos a sentir (não deixar que fique difuso) e perceber o que podemos fazer para o alterar, mesmo que decidamos nada fazer. Se assim fizermos, estaremos a garantir agência e controlo sobre a situação. Estaremos a criar perspectivas e diversificar o que pode ser a nossa actuação e como podemos lidar com a situação, ajudando-nos isso a lidar melhor com ela, a sentirmo-nos mais equilibradas/os e, potencialmente, melhor. Mais em paz.”
Hoje volto para partilhar este novo episódio em torno do binómio “indiferença-empatia” onde começo por desafiar a ideia de que é “mais fácil a indiferença”, sublinhando que o bem-estar individual depende do bem-estar colectivo e logo da possibilidade de bem-estar das/os outras/os, mesmo quando um conjunto de alterações na sociedade, na forma como gerimos e vivemos o nosso (acelerado) tempo e as nossas interações e comunicações (em bolhas, junto de pessoas que pensam como nós e mais individualizados), possam “empurrar” nesse sentido.
Falamos depois de empatia e de como desenvolvê-la. Do seu poder, relevância, da forma como nos prepara para lidarmos com o dia-a-dia e com novas situações e influencia a nossa abertura ao que nos rodeia e às outras e outros. Mas também de alguns dos seus limites, com exemplos concretos, e de como pode estar também ligada a dificuldades de alteração de comportamentos/rotinas, a excessivo envolvimento emocional ou mesmo a situações de (justificação de) abusos, condicionando-nos o bem-estar.
Falamos, depois, de compaixão e desse “passo em frente” face à empatia, porque envolve a agência sucessiva perante a situação, para não nos limitarmos à compreensão (empatia) e fazermos algo a partir dessa compreensão, seja face a nós, seja face a outras e outros.
Falamos de reconhecimento e validação de emoções e de como isso é fundamental nas relações e na criação de canais de comunicação (seguros), por exemplo com crianças/adolescentes. De como pararmos e guardarmos espaço para conversas importantes pode ser relevante na conexão emocional.
E finalmente de como podemo-nos aproximar, passo a passo, experiência a experiência, do que nos é mais diverso, mais afastado. Expandirmo-nos. Algo fundamental, não apenas para a nossa capacidade empática, mas que nos prepara melhor para o Mundo interconectado em que vivemos e para criarmos comunidade.
E como é importante hoje criarmos comunidade.