
Creio provável que não tenham existido muitos momentos históricos em que fosse tão presente uma verdade inquestionável: que a ideia de futuro, ou de futuros possíveis, comporta sempre consigo uma carga imensa de imprevisibilidade.
Parte desta consciência (colectiva) assenta, naturalmente, na forma como estamos hoje mais conectados e a informação circula. Mas essa consciência provém, também, da profunda complexidade e incerteza que resulta da interacção de diversos factores – económicos, ambientais, geopolíticos, societais ou tecnológicos – e de como isso desafia a possibilidade de se “prever” com segurança o futuro.
Por isso falamos cada vez mais de antecipação (estratégica) e dela não procurar “prever”, antes explorar futuros possíveis e plausíveis, informados por trajectórias e mudanças emergentes.
Esta mudança é relevante quando se conjuga com tendências da sociedade. Vejamos a evolução anual do quadro da percepção dos riscos globais do World Economic Forum. O relatório de 2024, no top-10, identifica para os próximos 2 anos 2 riscos tecnológicos (a má-informação / desinformação é mesmo o n.º 1), 2 ambientais, 1 geopolítico e 2 económicos. Mas, talvez mais determinante seja pensar que o mesmo relatório, para os próximos 10 anos, não apresenta nos 10 primeiros quaisquer riscos económicos ou geopolíticos, tendo 5 ambientais (4 dos quais nos 4 primeiros lugares), 3 tecnológicos e 2 societais.
Isto sublinha a premência de se abordarem as dimensões de ESG (ambientais, sociais e de governança) das organizações e empresas. Sublinha que o devemos fazer de forma mais activa, intencional e particularmente tendo presente que será sempre limitado o espaço de florescimento e prosperidade de uma organização a médio/longo prazo quando o seu entorno (e a sociedade como um todo) não tenha, também, esse espaço de florescimento e prosperidade.
É desta visão e compromisso da Casa Mendes Gonçalves e do Carlos Goncalves que, também, surge a Fundação Mendes Gonçalves. É do seu espírito de contributo e estímulo que surge a parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira e a Opera Education para a co-organização do Seminário Transformação ESG. Nele participarei, no seu 2º dia, com o Carlos Goncalves, a Giovana Bratti, o Charles Tokarski, o Cesar Blanco, o João Ferreira e o Mauro Peres intervindo sobre “Liderança e Impacto Social”.
Espero ter oportunidade de discutir a importância e o papel das organizações e lideranças no bem-estar (individual e colectivo), no reforçar das dimensões da equidade, diversidade e inclusão (neste momento em particular) e, ainda, o quão determinante pode ser para os futuros possíveis o contributo das organizações, também filantrópico, para transformações sistémicas a partir das comunidades de que são parte.
Venham daí.
Informações: https://ccilb.pt/eventos/transformacao-esg-a-revolucao-necessaria-para-o-futuro-empresarial-sustentavel-e-lucrativo/
Inscrições (gratuitas): https://marketing.egoi.page/5eAe6gpf/inscricao