“A minha história, aqui e agora, começa com uma doença oncológica, mas é meu desejo partilhar Vida e Ciência”. É desta forma que Anabela Coelho apresenta o conjunto de conversas que está a organizar e produzir, para um podcast que apelidou de “De peito rasgado” e para o qual teve a gentileza de me convidar para uma conversa / episódio que hoje, aqui, partilho.
Reflectimos sobre pensamentos (e crenças) e emoções e como se influenciam entre si e, particularmente, influenciam o nosso comportamento, tal como o nosso comportamento influencia os nossos pensamentos (e crenças) e emoções, de forma cíclica.
Discutimos o papel as emoções (adaptativas e o que são, até por contraponto à “positividade”) na adaptação a situações de crise ou de doença, incluindo de doença crónica, e como a nossa experiência, os nossos comportamentos e pensamentos e crenças as influenciam.
Pensamos o papel das crenças (na ciência – e.g. vacinação; religiosas – e.g. interrupção voluntária da gravidez ou transfusões de sangue) na protecção e promoção da saúde e bem-estar e como a nossa experiência, os nossos comportamentos e emoções as influenciam.
Falamos de espiritualidade, da complexidade conceptual do conceito, mas do seu importante papel, particularmente quando associada à procura de significados mais profundos (que nos levam além do dia-a-dia) e quando relacionada com a literacia emocional, ou seja, com a capacidade de olharmos para nós e “nos compreendermos, compreendermos o que estamos a sentir, porque estamos a sentir o que estamos a sentir e darmos significado e propósito ao que estamos a sentir, face ao que estamos a viver”.
Falamos de ansiedade, de stresse e de stresse crónico e do seu profundo impacto na qualidade e contextos de vida. Falamos de como este se relaciona com as nossas emoções e como influencia a própria doença, particularmente quando crónica. Falamos se e como podemos “treinar a gestão e regulação das emoções”. Falamos da dupla penalização potencial da “positividade (tóxica)”, do se “quisermos muito e/ou acreditarmos muito em algo vamos consegui-lo”, gerador tantas vezes de processos de auto-culpabilização, descrença e desânimo. Falamos de pseudociência, dos seus impactos e da importância da ajuda profissional especializada. Falamos, finalmente, de auto e heterocuidado.
“Se ajudar uma pessoa já cumprimos a nossa missão”, dizia a Anabela Coelho, no início do podcast. Convido a conhecer o projecto que conta com outros episódios e temas que incluem, entre outras, participações da minha colega Tânia Gaspar e do meu colega Miguel Arriaga. Convido a conhecer este contributo, também em forma de busca de propósito da sua autora, e, se sentir interessante e/ou útil esta nossa conversa / episódio, o objectivo estará cumprido…