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25.4.

O 25 de Abril é, para mim (mas creio para muitas pessoas), um conjunto de valores fundamentais e estruturantes que também vivem das imagens, dos sons e das letras que o fizeram e fazem, ano após ano.

A iconografia da data é extraordinária e escolho, para este pequeno texto, a pintura de Maria Helena Vieira da Silva que assinalou o 10º aniversário do 25 de Abril, o meu primeiro em vida. Chama-se “Liberdade” e deambula em volta da ideia da árvore (vida), dos seus frutos e da pluralidade das letras que no seu conjunto formam a palavra liberdade.

Evoco-a pelo simbolismo e pelo que representa, hoje, num tempo em que se enfraquecem, por vezes intencionalmente, mediadoras/es sociais, particularmente as/os jornalistas e a capacidade de vermos (intuirmos, percebermos, sentirmos) o todo perante o caso, o contexto e não apenas o exemplo, a palavra e não apenas a letra.

Os sons da data são também extraordinários e escolho a lembrança de ouvir Joaquim Furtado a ler o primeiro comunicado do MFA então às 04.00 daquela madrugada de 25 de Abril de 1974. “Aqui posto de comando (…) Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso (…) Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.”

Evoco-o pelo simbolismo e pelo que representa, hoje, num tempo em que se polarizam, por vezes intencionalmente, as posições, empolando divisões e confrontos, transformando adversários em inimigos, fazendo do medo, do ódio e do ressentimento móbil para a tomada de decisão, acção e comportamento. Num tempo onde o bom senso sucumbe à voracidade da informação/comunicação. Também, por isto, a confiança, a ciência, a factualidade, a empatia e o cuidado com as outras e outros é tão fundamental e um jornalismo construtivo urgente, conforme defendido/promovido pela Margarida Alpuim e Prof. Dr. Katja Ehrenberg no projecto “Psychology for Journalists” (aqui o 3º texto sobre o sentido de comunidade e polarização).

As letras da data são também extraordinárias e escolho a “Inquietação” do José Mário Branco que, sem saber e querer, me e nos deu “duas datas extra em Abril”, uma a partir de 2010, outra de 2013. “Cá dentro inquietação, inquietação; É só inquietação, inquietação; Porquê, não sei; Porquê, não sei; Porquê, não sei ainda | Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer; Qualquer coisa que eu devia perceber; Porquê, não sei; Porquê, não sei; Porquê, não sei ainda.”

Evoco-a pelo simbolismo e pelo que representa, hoje, num tempo que me inquieta. Que todas e todos, também com e pelo jornalismo e outras/os mediadoras/es, vivamos os valores para que tenhamos e geremos mais oportunidades de nos cumprirmos. De cumprirmos a possibilidade de liberdade para todas e todos.

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