
Tenho uma “memória profissional” com cerca de 5 anos que dificilmente esquecerei. Uma reunião (com a Isabel Trindade) com responsáveis da área dos seguros, onde procurávamos uma colaboração que permitisse maior sensibilização às seguradoras para a inclusão de actos na área da saúde mental, incluindo a psicologia. Pior que a ausência de abertura, foi o desconhecimento demonstrado sobre o trabalho das psicólogas e psicólogos e a desconsideração de algo com relevância social e ligação à saúde e bem-estar. Penso nisso e penso na forma como recordarão essas pessoas a reunião e a sua atitude.
Penso como terão visto a hoje maior seguradora na saúde em Portugal lançar em 01.11.2021 uma cobertura compreensiva na área da saúde mental, que inclui actos das/os psicólogas/os, nas suas diversas áreas de actividade, numa perspectiva de prevenção e promoção. Que os inclui através de uma rede e de um sistema de reembolso de 50% do valor das sessões (até 300€/ano) de profissionais fora da rede. Como terão visto que a seguradora tenha investido, também, na promoção do bem-estar, da literacia em saúde e saúde mental e no desenvolvimento de programas específicos para acontecimentos de vida, valorizando, na rede, as e os psicólogos especialistas com um valor/sessão melhorado.
Falo da Multicare. E falo de um trabalho de colaboração com a Ordem dos Psicólogos Portugueses que acompanhei e acompanho de forma próxima e que começou no início da pandemia por COVID-19. Colaboração com diversos marcos. A consultoria ao desenho da abordagem compreensiva à saúde mental e os primeiros artigos publicados. A simbólica (porque pela primeira vez a saúde mental foi tema neste evento da Fidelidade) participação que tive no “Pensar Maior – Saúde”, no Dia Mundial da Saúde, na sessão que partilho, onde estive com a Inês Pimenta de Castro.
Como foi, ainda, a assinatura do protocolo de colaboração ou a sessão da passada 3ªF, onde, além de intervenção da Alexandra Antunes, com quem tenho partilhado este trabalho, e do Francisco Miranda Rodrigues, participei numa conversa sobre saúde mental com o António Raminhos sob moderação da Isabel Silva. Conversa onde, reforçando a importância desta cobertura, sublinhei a necessidade do reforço urgente de psicólogas e psicólogos nos centros de saúde e outras unidades dos cuidados de saúde primários.
“Aquilo que são os nossos problemas não nos define. Nós não somos os nossos problemas. Nós temos problemas ou não temos problemas e, essencialmente, temos ou não temos recursos para lidar com esses problemas. E temos de ter recursos para lidar com esses problemas”. Assim fechei a intervenção no “Pensar Maior – Saúde”. Aqui está mais um, particularmente relevante. Juntos devemos exigir que os cuidados de saúde primários possam, verdadeira e rapidamente, ser outro. Outro, fundamental.