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Construir a Paz…

“O único discurso sem lugar aqui [na Assembleia da República] é o discurso de ódio, o de negar a dignidade humana seja a quem for, de insultar o outro só porque é diferente, de incitar à violência e à perseguição”. Parte da primeira intervenção enquanto Presidente da Assembleia da República de Augusto Santos Silva, intervenção que, além das deputadas e deputados, creio que todos e todas devemos ouvir e sobre ela reflectir. “Estes tempos difíceis, complexos, são temos propícios a toda a espécie de manipulações, de preconceitos e de messianismos, tempos em que pode prosperar o populismo com as simplificações abusivas, as exclusões sumárias, a negação do pluralismo e da diversidade, a estigmatização dos vulneráveis, a culpabilização das vítimas e a substituição do debate pelo insulto”, disse ainda, num apelo que creio certeiro à construção de um espaço de diálogo, cooperação, civilidade, respeito pelos direitos, pela diversidade e de cuidado com outras e outros. Um espaço, afinal, de construção e promoção de Paz.

Assim mesmo defini a Paz em conversa com o jornalista Ricardo Alexandre para o “Conselho de Guerra” (TSF) de 24.03.22. Como, mais que a ausência de guerra. Como algo sobre o qual todos os dias devemos conversar. Como algo que todos os dias, em todos os contextos, podemos e devemos co-construir. Como algo para o qual todas e todos temos um papel, da nossa casa (enquanto modelos de comportamento para crianças/jovens), às Escolas/Universidades ou aos locais de trabalho, disseminando formas não violentas de resolução de conflitos; empatia, compaixão e perdão; a valorização dos direitos humanos, da ética e do interesse colectivo e a promoção da confiança (em nós, nas outras e outros e nas instituições).

Conversa que teve com mote a trilogia de documentos da @Ordem dos Psicólogos Portugueses Conversar sobre a Paz: Como todas e todos podemos ajudar a construir a Paz; Como podem as crianças/jovens (e mães/pais, cuidadoras/es, professoras/es e educadoras/es) ajudar a construir a Paz; Como podem os psicólogos e psicólogas ajudar a construir a Paz (https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/p/psicologia-construir-a-paz).

Conversa que, finalmente, procurou sublinhar a importância da promoção e preservação de um espaço de coesão harmoniosa, onde os princípios humanitários são prioritários e existe uma equidade na valorização das pessoas, assente em ideias de liberdade, justiça, participação democrática e de possibilidade de auto-determinação e de cumprimento do potencial das pessoas. Um espaço, também, de não complacência e não legitimação da violência e da discriminação. De coesão, capaz de prevenir que o mal-estar de pessoas e da sociedade, que decorre de crises sucessivas e de riscos significativos que enfrenta(re)mos, não seja politizado e utilizado no sentido de fragilizar instituições e a sociedade e de vulnerabilizar mais, pessoas já de si vulneráveis. De coesão, enquanto garante de um futuro com possibilidade de bem-estar para todas e todos.

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