10.3.2020. Há 2 anos, António Costa admitia a possibilidade do encerramento das Escolas. Tínhamos (apenas) 41 casos confirmados no país de infecção por COVID-19 mas preparávamos o que inevitavelmente viria. Neste dia foi, também, anunciada a suspensão de todos os voos de e para Itália.
Nestes 2 anos muitas e muitos de nós certamente reconsideraram, alteraram, cancelaram viagens dentro e fora do país, fossem de lazer, convívio com familiares/amigos ou de trabalho. Muitas e muitos trabalharam dias, semanas, meses a partir das suas casas. A pandemia COVID-19 foi altamente disruptiva de um certo funcionamento social de sociedades por todo o Mundo e numa Europa muito conectada. Se assim foi com uma pandemia, imaginemos, por um momento, a disrupção provocada por uma invasão ilegítima de um país. A disrupção provocada por uma guerra.
Estaria (estarei?) em Julho com uma colega psicóloga num congresso e simpósio onde discutiríamos contributos da psicologia para a crise climática. Hoje ela está numa Kyiv naturalmente interrompida, corajosa e inspiradoramente procurando, em condições inimagináveis, disponibilizar o apoio psicológico possível a uma população que desesperadamente necessita, não apenas dele, mas de Paz, de autodeterminação e de ver os seus Direitos Humanos cumpridos. A guerra tudo interrompe, sabemos e sentimos a partir do que vemos, ouvimos e conhecemos. Mais, a guerra e os seus efeitos não terminam no dia em que termina a guerra. A ausência de guerra está, não raras vezes, muito distante da Paz e esta guerra é um incidente brutal com “ondas de choque” que durarão anos e atingirão todas as pessoas, de forma diferente é certo, mas todas as pessoas. Mas…
Desengane-se quem acha que sozinho não vai a lado nenhum…”, diz-nos a Catarina Mota, activista portuguesa que com outras/os 5 jovens entregou uma acção no TEDH contra um conjunto de governos a propósito da sua “inacção nas questões referentes à crise climática”. Foi directora do PÚBLICO no seu 32º aniversário numa edição dedicada à crise climática na qual participei num trabalho da Mariana Durães (que partilho) acerca da inquietação/ansiedade face à crise climática, particularmente em crianças e jovens e dos contributos da psicologia (dias antes havia gravado o podcast Compromisso Verde com a Cristina Nascimento da Radio Renascenca sobre este tema que também partilho).
“…Porque é com pequenos passos que se começa. Com pequenos passos, quem sabe, influenciamos a nossa família, os nossos vizinhos, os nossos colegas, e juntamo-los, eles e muitos mais, a esta luta contra as alterações climáticas, para que o mundo continue a ser uma casa habitável.” Desenganemo-nos, também, na construção da Paz. Porque é com pequenos passos que se começa e é responsabilidade de todas e todos, em qualquer momento e lugar do Mundo, a co-construir. Sempre.