“Um dos mistérios mais insondáveis da nossa profissão como filósofos (…) [é] as pessoas nos apreciarem mais quanto mais tristes estivermos. Porque é que parecemos mais profundos quando somos mais negativos? O que explica o prestígio do pessimismo?”
Di-lo, com conhecimento de causa (e experiência) Daniel Innerarity. Penso-o, eu. E sinto-o, quase como dever, da filantropia, e, logo, da oportunidade de contributo que hoje tenho e temos, em equipa. Combater a ideia de que o pessimismo e a desconfiança são as atitudes mais lúcidas e/ou sofisticadas, particularmente em contexto social, e co-construir um optimismo realista e informado, capaz de gerar confiança no presente e para o futuro.
Esta foi uma das ideias chave que procurei sublinhar – também a propósito da necessidade que temos de, enquanto país, valorizar e investir de forma mais significativa na qualidade, enquadramento e condições e empoderamento da economia social e da sua força de trabalho – na mesa-redonda em que participei a 18 de junho do evento “Ponto de Interrogação” da Native Scientists.
A mesa tratou “o papel das parcerias para uma educação mais justa e inclusiva” e junto com o Afonso Arnaldo, a Carla Sepúlveda e o Paulo Marques (a todos agradeço a interessante conversa), com a sempre brilhante moderação do José Maria Pimentel (desta vez num tema menos “inesperado” 😉, mas não menos relevante), discutimos o tema sob diversas lentes.
No meu caso, além do que atrás refiro, procurei discutir o papel que uma Fundação de proximidade ou comunitária, conforme a Fundação Mendes Gonçalves se tem afirmado, pode ter na mobilização e na participação na dinamização de parcerias, na resiliência da comunidade face a adversidades e desafios, na utilização paciente e estratégica dos seus recursos e do seu importante contributo – por via da inovação, da possibilidade de experimentação e investigação mas, também, pela advocacia e comunicação – para melhores políticas (públicas), que possam servir melhor mais pessoas.
Com um especial agradecimento pela confiança e convite ao Nuno Vieira de Almeida, à Joana Moscoso, PhD e à Joana Bordalo e, outro, mais importante, pelo trabalho notável que fazem, junto com toda a equipa da Native Scientists a aproximar a ciência das crianças; saio deste momento com a convicção reforçada de que não se constroem respostas para desafios complexos de forma isolada, antes em parceria, proximidade, com paciência e confiando que será possível.
É também esse o meu e nosso compromisso – fazermos, com um otimismo realista, a nossa parte, no nosso território e nas parcerias que construímos pela educação… Pelo futuro de todos.