
Ontem, ao final do dia, ouvi o “Postal do Dia”, programa do Luís Osório, agora na Antena 1. Era sobre o Fernando Mendes, histórico apresentador do “Preço Certo” da RTP, e partia da “história e segredos de Fernando Mendes para liderar há vinte anos as audiências em Portugal” e da pergunta: “O que nos leva a nele estarmos sintonizados?”.
Pergunto eu, o que me leva, tantos anos depois, a estar sintonizado com o Luís Osório e o seu trabalho? Principalmente, diria, duas experiências marcantes num momento marcante da minha vida: a) uma entrevista “dura” sua ao seu pai, José Manuel Osório, no programa “Portugalmente”. Teria, talvez, uns 15/16 anos e… Não esqueço; b) os muitos episódios de “Conversa Privada” onde, com a Ana Drago e o Daniel Sampaio, pensava e conversava sobre pessoas, a sociedade e os seus desafios. Conversava(m) comigo, também, quando e enquanto procurava respostas para perguntas que fazia e nem sempre tinha pessoas com quem conversar sobre elas. Ouço-o e leio-o, ainda hoje, como uma pessoa significativa para mim.
Como tantas e tantos vêem e ouvem o Fernando Mendes, “a maior de todas as figuras populares da televisão portuguesa”, como refere no bonito texto que ouvi por si dito. “Todos os dias, o país real que chega das fábricas e dos campos, senta-se um bocadinho para se rir com ele; Todos os dias, as televisões dos lares em Portugal estão nele sintonizadas; Todos os dias, as pessoas em convalescença em quartos de hospital, ficam nele por ser o que mais se aproxima do que gostariam de recuperar; Todos os dias, mulheres e homens comuns chegados do trabalho, só querem descansar um bocadinho, fazer uma pausa antes do jantar e de tudo o que se segue na noite; Fernando Mendes é a pausa entre os empregos ou a solidão e a aproximação dos problemas que a noite traz.” Vêem-no e ouvem-no como uma pessoa significativa.
Porque… “É genuíno; Trata bem toda a gente, faz com que as pessoas se sintam em casa, como se fizesse parte das suas vidas e a qualquer momento pudesse tocar às suas portas para comer um chouriço assado, um cabrito de fim-de-semana ou um medronho.” Porque “Fernando Mendes abraça quando abraça” e “preocupa-se com as pessoas.” Mas, também, porque as pessoas encontram nesse momento do seu dia e na figura do Fernando Mendes e da sua equipa segurança, conforto, previsibilidade, companhia amizade e relação. Porque é bom para elas e porque esse bom resulta de alguém bom.
Obrigado, Luís. Obrigado, Fernando. Pelo que dão, pela forma como se dão e pelo que significam e proporcionam a tantas pessoas, já há tantos anos.
Link para o episódio: https://antena1.rtp.pt/programas-antena-1/o-segredo-de-fernando-mendes-e-o-seu-preco/