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Ao redor... (Revista Sábado) COVID-19

Ecrãs e redes sociais…

“Aceitam que estamos perante um problema? Aceitam o desafio de mudarmos e partilharmos o Mundo ao redor com os ecrãs de forma mais equilibrada?” Assim termina o texto que começa numa “varinha mágica de investigação” de Adam Alter: “…Quando um bebé nascer, alguém de forma aleatória, coloca uma etiqueta na testa que determinará a sua condição nos seus primeiros, digamos, 50 anos de vida. Baseado na cor da etiqueta organizaremos os bebés através de diferentes condições de exposição a ecrãs e redes sociais e acompanharemos o seu progresso e comportamento ao longo da vida.”

“De pequenino é que se torce o ecrãzinho”, 58º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) reflecte sobre o impacto da exposição a ecrãs e redes sociais, trazendo a muito negativa comparação de “resultados de provas de aferição de 2º ano entre crianças sem (2019) e com (2022) dois anos de pandemia COVID-19” em Português e, especificamente, na Oralidade. Traz, também, estudos que “demonstram aumentos progressivos e significativos, com a prevalência a duplicar no UK ou a quadriplicar, se considerarmos apenas a depressão, em França”, aumentos “com início entre os anos 2010 e 2012, momento em que, entre outras mudanças, se generalizaram os smartphones, a utilização de redes sociais e recursos tipo “Like” e “Retweet”.

“Os ecrãs e as redes sociais, pela sua aditividade, pelo “negócio” envolvido e com o “impulso” que resultou do isolamento em períodos da pandemia, estão a pressionar a substituição de interacções presenciais pela socialização em ambiente digital. Alterações que, particularmente se precoces e/ou excessivas, tenderão a reproduzir-se mais intensamente mais tarde e que têm e terão impactos no bem-estar, na conexão com outras e outros, nos processos de aprendizagem (social), no desenvolvimento cerebral, cognitivo e motor, no feedback e resposta emocional e comportamental face a situações quotidianas e, até, nas dimensões da actividade física e do sono.”

“Atendendo a que esta é uma área onde a regulação dos meios/plataformas não tem sido intensa e eficaz, o papel das e dos cuidadores adultos é absolutamente preponderante. Mas (…) quem cumpre as recomendações da OMS de que crianças até aos 2 anos não estejam expostas a ecrãs (televisão, computador, tablets e telemóvel) e que entre os 2 e os 4 anos a exposição seja pelo menor tempo possível e com supervisão, indicando como tempo máximo uma hora diária?”

“Sabemos que poucas pessoas e porquê. “…É muito mais simples quando se conjuga com a necessidade de trabalhar, realizar tarefas domésticas, fazer uma refeição ou, simplesmente, mantermos bebés e crianças sentadas e minimamente sossegadas (…) Muito mais simples hoje, mas muito mais difícil amanhã. Como com alguns alimentos, é assim com os vídeos online, com os jogos online e, mais cedo ou mais tarde, com as redes sociais.”

“Quando a pressão social concorre para incumprirmos recomendações algo está errado e precisa, rapidamente, mudar.”

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