
Mais logo cumpre-se a noite do Halloween. Entre os “doce ou travessura”, os sustos e as histórias e filmes de terror, permitam-me partilhar 2 notas que envolvem esta celebração e a psicologia:
1) Um dos países que mais entusiasticamente a vive são os EUA onde, segundo um estudo do “Pew Forum on Religion and Public Life”, 3 em cada 4 pessoas acreditam em pelo menos um fenómeno que não é explicável pela ciência. 55% na “cura espiritual”, 41% na “percepção extrassensorial”, 37% em “casas assombradas” e 32% em “fantasmas”. Além da preocupação que estes números representam para a saúde pública (pelo que implicam em diversas áreas), têm uma falácia (da conjugação) interessante: conforme Pinker sublinha, há mais pessoas a acreditar em casas assombradas (por fantasmas) do que em fantasmas, o que resultará em pessoas que acreditam em cassas assombradas (por fantasmas) mas não em fantasmas. A falácia da conjugação foi descrita por Tversky e Kahneman (anos 80) e sublinha que pormenores conjunturais, que pelas leis da probabilidade tornam cenários menos prováveis, acabam por torná-los mais convincentes pela “irracionalidade humana”, particularmente face ao que se acredita ou “mexe connosco”. Se o Cristiano Ronaldo estivesse no topo das suas capacidades, quantos de nós acreditaríamos que Portugal fosse Campeão do Mundo? E campeão do Mundo com o Cristiano Ronaldo como melhor marcador do torneio? E, qual a probabilidade de António Costa deixar de ser primeiro-ministro antes do final da legislatura? E deixar de o ser para ir presidir à Comissão Europeia? Algo importante a reflectirmos, pelas implicações que tem, por exemplo, nos processos de desinformação, polarização ou no testemunho;
2) A noite comporta também a ideia da máscara/disfarce (em Portugal, como o Carnaval) que pode, quando contextualizadamente, diminuir as inibições, promover a autoconfiança e permitir alguma “transgressão” (importante, porque contextualizada) face ao regular. E, porque uma apenas por ano e, mais uma vez, contextualizada, é um momento relativamente seguro (por isso importante) para se “brincar” com medos e ansiedades, porque “envolve” todas as pessoas, independentemente das condições (vulnerabilidades) próprias de cada uma.
Antes desta noite, estarei de volta a Aveiro (pós 5º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses) e ao Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia (noutra condição, depois de participar como estudante primeiro e depois como dirigente da ANEP (Associação Nacional de Estudantes de Psicologia), para uma “improvável” mesa com pessoas que muito estimo e admiro (Telmo Mourinho Baptista, Miguel Ricou e Jose Pais-Ribeiro) sobre “o paralelismo da Psicologia de ontem e de hoje”. Na mesa e num momento de networking.
Depois desta noite, um muito importante momento do meu ano, de todos os meus anos. De proximidade. De família. Também por isso o meu Halloween, com ou sem celebração, sempre foi especial. Como o será, este ano.
[Imagem – University of British Columbia]