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Ao redor... (Revista Sábado) Comportamento Desafios da Psicologia

Violências…

“Pensar as violências implica pensar não apenas o que as caracteriza e determina no presente (no tempo e momento em que decorrem), mas todo o percurso e contexto que a elas conduziu.”

“Violências”, 37º artigo da rubrica “Ao redor” (Revista Sábado) parte deste mote para “pensar” as violências enquanto fenómenos complexos e diversos que, no Mundo e em Portugal, tanto condicionam a saúde e bem-estar das pessoas e a sociedade, sendo também por ela condicionados. Faço-o procurando reflectir a partir de quatro elementos enquadradores e de quatro acções possíveis para a sua prevenção e mitigação dos seus impactos.

Quando aos elementos enquadradores: a) “a impossibilidade de definição de “uma violência”, antes de violências (individuais, colectivas, institucionais ou estruturais), e as transformações permanentes do que é ou não percepcionado como violência”; b) uma certa “naturalização das violências na sociedade, como algo inevitável, quando não considerado mesmo relevante à organização da sociedade”; c) “a utilização política das violências, quer com vista à afirmação identitária de grupos mais expostos às mesmas, quer, sobretudo, à utilização da insegurança, do medo e do sofrimento dela resultante com fins políticos”; e d) “a forma como o comportamento e a linguagem, e os fenómenos de grupo, contágio e reprodução a eles associados, perpetuam e tornam estruturais as violências”.

Quanto às quatro acções, dependentes de todas e todos, independentemente do nosso papel ou responsabilidades na sociedade, serão tão mais possíveis “quanto nos envolvermos (pessoas, comunidades e instituições) numa resposta conjunta”: a) “melhor compreender o fenómeno [também quanto a questões associadas à pobreza / exclusão e saúde mental], para melhor informar as respostas e as políticas públicas”; b) “necessidade de promover um ambiente de segurança, também psicológica, e saúde mental nas pessoas e nas comunidades”, onde a vulnerabilidade, qualquer que seja, deverá ser validada, não penalizada; c) o reforço da intervenção psicológica e psicossocial de “reparação e apoio às vítimas de diversos fenómenos de violência”, enquanto direito de justiça social e fundamental à prevenção da reprodução e perpetuação de ciclos de violência; e d) “a integração, articulação e inovação de respostas” caminhando “de uma responsabilização quase exclusivamente interpessoal pelas violências, para a identificação dos mecanismos sociais delas justificativos e de como os podemos modificar”.

“Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, prevenir e mitigar as violências passa por as contextualizarmos no quadro da sua complexidade, por nos mobilizarmos contra a ideia da sua inevitabilidade e contra a sua naturalização e por nos activarmos, qualquer que seja o nosso papel, para a mudança necessária. Para um contributo para uma sociedade de maior inclusão, equidade, coesão e bem-estar para todas e para todos. Para uma sociedade que possibilite a auto-determinação no presente, garantia de futuro.”

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