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Desafios da Psicologia Política

Fadiga(s)

Fadiga, palavra fortemente associada ao cansaço, provém de fatigari cuja tradução inclui a ideia de “fazer desabar”. De ruir. Se pensarmos em diversas fadigas – muscular, pandemia, compaixão – percebemos que nos mostram (por vezes com sofrimento) que temos limites. Que, conforme a nossa capacidade de adaptação (que é grande, mas não ilimitada), a nossa capacidade física, de permanecer hipervigilantes e responder a medidas restritivas e de relação, cuidado e empatia, são grandes, mas, também não são ilimitadas e, em muito, dependentes da nossa própria condição. Serão, assim, a atitude e as acções solidárias permeáveis à fadiga? E, se sim, é expectável que isso possa acontecer relativamente à onda de solidariedade que assistimos em virtude da guerra na Ucrânia?

“Fadiga da solidariedade?”, 30º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) responde com um “sim, creio que a resposta é sim”. Também, porque, conforme já sentimos com a menor abundância de notícias e de sensibilidade e “urgência” associada ao tema, há hoje mais efeito de “naturalização” e a correspondente diminuição da pressão social para a resposta e para a necessidade de agenciamento e proatividade, fortes incentivos à activação solidária. Ainda porque determinadas/os líderes, representantes e decisoras/es usam hoje do discurso de ódio, da diferença, do medo e de um suposto ataque a um “modo de vida/recursos disponíveis” associados a esta situação para benefício próprio, de afirmação pessoal e política.

Por tudo isto importa reforçar e advogar que estimulem a empatia e a compaixão, ao invés de aproveitarem os seus limites. Que promovam a humanização e a responsabilidade social prevenindo a progressiva despersonalização e o progressivo caminhar de “pessoas com nome e história” para “pessoas número”. Ainda, respeitando, apoiando e valorizando os contributos técnicos voluntários, que este esforço e compromisso seja sempre enquadrado em respostas integradas, baseadas na melhor informação e ciência disponível, considerando que pessoas em situação de particular vulnerabilidade necessitam de intervenções, respostas e apoios particularmente preparados, especializados e continuados no tempo.

Recordemos que uma das prioridades da política externa da UE é garantir a segurança dos Estados-Membros e que esta depende da confiança, coesão (harmoniosa), solidariedade, apoio mútuo aquando de dificuldades e da resiliência colectiva. Que a integração bem-sucedida e a reparação (psicológica e social) são garantes fundamentais ao bem-estar das pessoas e à construção da Paz. Recordemos e ajamos, não apenas quando é simples, automático e unânime fazê-lo, mas também quando é desafiante, dependente da intencionalização e fonte potencial de crítica e conflito. Ajamos na certeza de que no futuro, quando pensarmos o tempo presente, não sintamos não ter feito o que poderíamos e deveríamos ter feito. Cuidemos, hoje, por amanhã. Pelo nosso planeta, nossa saúde, lema deste dia Mundial da Saúde.

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