Eagle. Recentemente a IBM apresentou um novo processador que supera largamente a capacidade dos hoje utilizados por revolucionar o actual sistema binário (0 ou 1) ao acrescentar a possibilidade de sobreposição de estados (0 e 1). Um artigo da revista Science afirma que um problema hoje complexíssimo de criação de números aleatórios cujo melhor computador hoje disponível demoraria cerca de 600 milhões de anos a resolver, poderá sê-lo, com este processador, em 3 minutos. Se a IBM conseguir adaptá-lo a computadores (e dispositivos) como hoje os conhecemos, entraremos na era da computação quântica e abrir-se-á espaço para “desenvolvimentos quânticos” em materiais de construção, tratamento de dados, medicação e outras terapêuticas, transportes, ensino ou inteligência artificial. Um “salto quântico” em potência, apelidado de Eagle (Águia) pela IBM.
Pensei em revoluções, grandes e não tão grandes, e em saltos (quânticos), quando reflectia nas palavras que diria no Kick Off das/os 19 Psicólogas/os Júnior agora afectas/os ao Cuida-te + do IPDJ, resultado de duas parcerias deste instituto público uma com a Ordem dos Psicólogos Portugueses e com a Aventura Social – Associação. Na sessão de ontem – onde estivem a Natacha Torres da Silva, pessoa (e colega) que muito se dedicou a tornar possível este projecto, a Margarida Gaspar de Matos e Tania Gaspar, pessoas (e colegas) que muito estão empenhadas em criar condições para que o projecto possa ser bem sucedido (e avaliados os impactos), além das/os 19 psicólogas/os júnior e orientadoras/es e responsáveis do IPDJ/Aventura Social – procurei discutir sobre porque este projecto e a forma como será concretizado representa esse salto:
1) Pelo significado do IPDJ, no quadro da administração pública (sendo exemplo), investir em anos profissionais júnior permitindo que o primeiro emprego em psicologia destas/es 19 psicólogas/os no quadro do Cuida-te+;
2) Pela abordagem compreensiva, não exclusivamente reactiva e remediativa, antes apostando na prevenção e promoção e centradaa no desenvolvimento das/os jovens e comunidades;
3) pela contingência ao momento que vivemos e aos fortes e amplos impactos (directos e indirectos) da COVID-19 no passado próximo, presente e futuro das/os jovens;
4) pela preparação do que viveremos, tempos em que a incerteza será mais constante e que a complexidade requererá competências sócio-emocionais e resiliência, empatia e compaixão, criatividade, confiança e coesão social em muito dependentes da saúde psicológica e bem-estar individual e societal.
“Não me preocupa que a inteligência artificial permita que os computadores pensem como os humanos. Preocupa-me que as pessoas pensem como os computadores, sem valores ou compaixão, sem se preocuparem com as consequências”, disse Tim Cook, CEO da Apple, num célebre discurso em 2017.
Eu, optimista que julgo ser, penso que assim não será. Eu, realista que também julgo ser, penso que com projectos como este estaremos mais perto que assim não seja.