Nos últimos dias notícias abordaram a possibilidade de um “confinamento total” da cidade de Deli e um número de mortes em 2019 de cerca de 6mil em Portugal e 307mil na UE. Motivo? O mesmo e – por estes dias, por associar “mortes” e “confinamentos” – contraintuitivo: poluição atmosférica.
Sem pretensão de pensar o Mundo, a sociedade e os seus desafios daqui a 339 anos (numa potencial COP365), o que hoje sabemos, sentimos e o que nos rodeia deve impelir-nos a transformar cada COP num projecto de cada dia de cada ano.
“COP365”, 20º artigo da rubrica “Ao redor” (Sábado) pensa a necessidade de abandonarmos “proclamações a 20, 30 ou 50 anos que pouco contributo aportam” e de nos concentrarmos “em acções imediatas, próximas, concretas e avaliáveis”, aprofundando os NDC (contribuições nacionalmente determinadas) de cada país e o estabelecimento de compromissos a cada ano, um dos principais ganhos da declaração final da COP26. Também sobre como “há tempo, pela transformação da vontade em mobilização e compromisso, de substituir a inacção, que aprofundará o problema existente, por uma acção firme que produzirá resultados muito positivos, com impacto na mitigação da crise climática” (e noutras crises/desafios societais) e de como isso depende “de contribuirmos, cada pessoa, comunidade e país, para uma visão partilhada do problema, assente na empatia com as e os outros, e para uma visão mais cooperativa das soluções, assente na equidade e compaixão”.
Como depende “do crescimento do consumo e da utilização de recursos consciente, por oposição ao proibicionismo, da estimulação e motivação da mudança de comportamentos por oposição à sua obstaculização e de transformações sociais”. Ou “do desenvolvimento tecnológico e da inovação pelo bem-comum e de usarmos mais do conhecimento sobre o comportamento humano e sobre os processos de tomada de decisão na definição de políticas e na comunicação, na promoção de literacia e na prevenção, mitigação e adaptação às mudanças necessárias e aos impactos das cada vez mais frequentes e intensas catástrofes, já não passíveis de serem chamadas naturais por também comprovadamente resultarem da acção humana”.
Em Glasgow “senti que – a par da profunda onda de preocupação, particularmente significativa quando cara a cara se ouve e sente a história e as histórias de pessoas e comunidades já hoje fortemente impactadas pelas alterações climáticas – cresce uma onda de reconhecimento do problema, suas consequências e da necessidade e formas de acção para a mudança” e que aproveitar esta onda resultará numa recompensa em inovação, novas formas de vivência, relacionamento, trabalho e interacção com os territórios, novas oportunidades de emprego, bem-estar e de equidade”. Garantiremos (mais) confiança, coesão e paz. Protegeremos a democracia e contribuiremos para globalizar o mote da recente Lei de Bases do Clima Portuguesa: o uso sustentável dos recursos naturais do planeta por um clima estável enquanto património comum da humanidade.