No ano que empresta o número ao nome da doença cuja pandemia nos desafia (COVID-19), o 2º filme mais visto em Portugal interpelou-nos sobre a saúde psicológica e mental. Joker, filme com avaliações para todos os gostos, potenciou a discussão sobre como a sociedade se confronta e organiza perante a saúde (e doença) que não física, estimulando a reflexão individual (de quem o viu e/ou discutiu) e colectiva sobre o tema.
Sabemos fundamental a reflexão para a criação de narrativas. Creio fundamental que na questão da saúde psicológica possamos promover uma narrativa (individual e colectiva) que permita maior saliência à sua importância, mais literacia e compreensão e menos estigma. Analogamente, creio fulcral que o possamos fazer (reflectir, individual e colectivamente), com o mesmo intuito, sobre a pandemia que vivemos nas suas consequências directas mas também indirectas.
Para isso procuro contribuir nesta entrevista à RUP / ANEP (Associação Nacional de Estudantes de Psicologia) (a quem agradeço o convite e a recordação das memórias que dela tenho) porque, se como Arthur Fleck (Joker) refere no filme (“o pior de ter doença mental é as pessoas esperarem que nos comportemos como se não a tivéssemos”), também assim o é com o momento que vivemos.