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COVID-19 Desafios da Psicologia

17.000km

Tonga é um dos países do planeta mais distantes de Portugal. Partilha com Samoa e com as ilhas Phoenix (Kiribati) o fuso horário GMT+13 que fez deles dos primeiros países do Mundo a chegar a 2022 (às nossas 11h da manhã de 31.12). Apesar disso, a erupção do vulcão Hunga no arquipélago e o tsunami que se lhe seguiu, além de significativos danos nas suas diversas ilhas, foi sentido a mais de 17.000 km de distância e 18h depois, na costa portuguesa. Tsunami que impactou mais o país, sentindo-se no Mundo. Um vírus que impactou mais o Mundo, sentindo-se no país (Tonga teve desde o início da pandemia apenas 1 caso confirmado de COVID-19 na sua população o que, ainda assim, levou a um “confinamento” da sua maior ilha). Fenómenos que nas suas causas, na sua imprevisibilidade e nas suas consequências nos lembram como o Mundo se faz de dependências. DE dependências muito sensíveis. Senão vejamos…

Recuemos dois anos. A 18.01.2020 o epidemiologista Neil Fergunson dizia que a sua preocupação relativa ao “novo vírus” estava a crescer e que era bastante improvável que os apenas 60 casos confirmados na China à data pudessem gerar 3 casos que se haviam confirmado fora da China. Já J. Farrar assumia que existindo ainda incerteza sobre o vírus e lacunas na informação, era já certa a existência de algum nível de “transmissão de pessoa para pessoa”.

Recuemos um ano. A 18.01.2021, António Costa, no final de um conselho de ministros extraordinário que aprovou novas medidas restritivas (apenas 5 dias após outras medidas), assumiu que estávamos “a viver o momento mais grave da pandemia” (167 mortes; 6702 novas infecções; 5165 pessoas internadas, 664 em unidades de cuidados intensivos por COVID-19 nesse dia). Hoje sabemos que estes números haveriam ainda de crescer para depois descer e para, com a actual variante, apenas as novas infecções ultrapassarem estes números.

Dois anos muito desafiantes, muito duros. Mas serão apenas dois os anos? Umas das diferenças da pandemia COVID-19 face a (outras) catástrofes prende-se com a incerteza da sua evolução e indefinição temporal. Outra com a generalização e globalização das suas consequências, nomeadamente pela alteração de comportamentos e rotinas (sociais) e dificuldades ou problemas de saúde mental no curto, médio e de longo prazo.

Tal qual nos lembram as (já pequenas) ondas que chegaram à nossa costa, é fundamental, para melhor enfrentarmos as (ainda) incertezas e indefinições, reflectirmos e investirmos na promoção na capacidade de controlo e de agenciamento das pessoas, particularmente as mais vulneráveis, apoiando a sua auto-regulação comportamental e emocional. Como é na reparação e reforço do contrato social, fulcral em momentos prolongados de crise(s), direcionando-o à possibilidade de florescimento e bem-estar de todas e todos, conforme preconiza a carta de Geneva do Bem-estar.

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