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Air Summit 2021

“Cada vez que um avião [qualquer avião] passava sobre as suas cabeças, o general e os seus companheiros olhavam-no. Não podiam ajudar-se. Obsessivos. O meu tipo de pessoas.”

O último livro de Malcolm Gladwell (The Bomber Mafia) começa com uma nota do autor que termina com esta passagem. Relata um pós-jantar com David Galdfein (Ex-“Chief of Staff” da Força Aérea dos EUA) em que este convidou colegas para se juntaram a Malcolm na “Air House”, espaço próximo do Aeroporto que serve a região de Washington DC. Relata o fascínio, mas também a constante activação destas pessoas, quando “próximas” de aviões, quaisquer que fossem, e “ainda que de passageiros sem nada de potencialmente distinto.” Relata a tal obsessão, a meu ver melhor descrita se com aspas porque, neste caso, mais ligada à dimensão exclusiva desse comportamento (dessa activação) do que propriamente a um diagnóstico mais técnico (e logo mais complexo).

Na passada sexta-feira, estive em Ponte de Sor, na Air Summit 2021, encontro que reúne um conjunto de pessoas que pela sua profissão, área de negócio, hobby ou apenas fascínio, como Galdfein e as e os seus colegas, tende a olhar o céu quando escuta nele um som de um objecto que, antes ali não estaria, mas que as pessoas, desenvolvendo a ciência e ousando corajosamente muitas vezes experimentar, tornaram cada vez mais comum para cada vez mais fins. Que as pessoas tornaram “norma”, sendo por essa “norma” hoje definidas.

Com um “Flying for a new start” como tema, a Air Summit 2021 trouxe a “novidade” de ter um dia de conferências dedicado à saúde psicológica e uma mesa onde participei a convite da Elisabete Santos sobre “O impacto da pandemia na saúde psicológica: ultrapassar os desafios pessoais, profissionais e sociais” e onde estiveram, além da própria Elisabete, o Florentino Serranheira, o Osvaldo Santos e o Paulo Martins, mesa moderada pela jornalista Cristina Esteves.

No meu contributo procurei reflectir exactamente sobre como a forma como definimos a norma acaba por resultar na forma como a norma nos define e como, assim sendo, podemos tornar norma a importância da saúde psicológica e ela nos definir, mais do que hoje nos define a norma de olharmos (apenas) a doença mental ou quanto muito a sua ausência. Isso convida-nos, activa-nos, a olhar o quotidiano dessa forma e a construir uma sociedade e organizações que o considerem, permitindo mais oportunidades para todas e todos de promoção de saúde mental e com elas menos oportunidades de sofrimento para as pessoas (e seu entorno) e perdas para as organizações e sociedades, sob diversas formas. De como se tornar norma este tema, também numa Summit como esta, nos define hoje e definirá amanhã.
Como também disse, quem ainda voou quando se fumava nos aviões comerciais, dificilmente imaginaria que anos depois tal não fosse possível na exacta forma como hoje dificilmente imaginamos que se regresse a esse tempo. Assim poderá e deverá ser com a importância da saúde psicológica, também nesta área.

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