1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 dias… Desde 1994, 7 dias separam as comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental (10.10) do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17.10). 7 dias, uma semana, um ciclo com simbolismo próprio, este ano reforçado pelo tema das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental ser a “Saúde Mental num Mundo desigual”, a propósito de um Mundo onde “as pessoas mais ricas continuam a enriquecer” coexistindo com “um número de pessoas ainda muito alto que vivem na pobreza”. Poderia, também, o Dia Mundial da Erradicação da Pobreza ter sido dedicado à “Pobreza num Mundo desigual” a propósito de um Mundo onde as pessoas mais ricas têm mais oportunidade e acesso a respostas e serviços na área da Saúde Mental coexistindo com um número ainda muito alto de pessoas pobres e excluídas sem oportunidade e acesso a respostas e serviços na área da Saúde Mental.
“Saúde Mental | Erradicação da Pobreza: 7 dias de distância”, 18º artigo da rubrica “Ao redor…” (Sábado) pensa a associação forte e cíclica entre a pobreza a exclusão e dificuldades e problemas de saúde psicológica. Ciclo do qual resultam 3 inevitabilidades: não poder existir um avanço significativo ao nível da saúde mental se não existir também a diminuição significativa dos níveis a pobreza e de exclusão, seu importante determinante; não haverá uma diminuição significativa no nível de pobreza e exclusão sem um investimento de recuperação das pessoas com doença mental e da promoção de saúde mental, enquanto factor determinante de resiliência e de possibilidade de adaptação da pessoa aos acontecimentos de vida e de projecção de e no futuro; que investir na saúde mental resultará também na diminuição de factores de vulnerabilidade que conduzem e/ou reforçam situações de pobreza e exclusão e que investir na diminuição dos níveis de pobreza e exclusão resultará no aumento da potencial da saúde mental, pela redução da escassez, promoção de competências transversais de vida e pela maior possibilidade de florescimento e de bem-estar.”
Importa trabalharmos na prevenção e promoção da saúde mental; respeitar a dignidade humana e construir respostas integradas, humanistas e qualificadas que visem a autonomia e a integridade da pessoa em qualquer circunstância; atender ao indicador do bem-estar percebido enquanto objecto de políticas públicas; responsabilizarmos a pessoa por problemas sistémicos e complexos, prevenindo a “dupla culpabilização”.
Termino como terminei ontem uma intervenção a convite da Ana Rodrigues num webinar da EAPN: “Cada um e uma de nós não conseguirá por si mudar o Mundo. Mas poderá – também inspirada na figura e exemplo de Aristides Sousa Mendes [ontem celebrado], intervindo nos determinantes e promovendo saúde mental – contribuir para a mudança de uma ou de um conjunto de pessoas. Mudando o Mundo de cada uma. O Mundo do Ricardo, da Luísa, do Manuel, da Micaela. O deles, o das suas filhas/os, amigos/as, pais e mães. Sentem e sabem do que falo, não sabem? Porque esperamos?