“Sabia que era errado mas era a única acção que poderia salvar o Mundo.”
A 13 de Agosto, o Observadornoticiou em Portugal um caso com cerca de 48 horas em que um homem (Mattew Taylor Coleman) terá confessado ao FBI ter assassinado os seus dois filhos (2 anos e 10 meses) por acreditar nas teorias da conspiração “QAnon” e “Illuminati” e no facto da mãe dos filhos lhes ter “passado ADN de serpente”. Nesse exacto dia William Brady, psicólogo que liderou uma equipa da Universidade de Yale no estudo, publicava com a sua equipa na revista Science Advances mais um trabalho que confirma não apenas que os incentivos nas redes sociais mudaram o “tom” da nossa discussão e debate político e que os seus algoritmos intensificam a indignação moral, por serem desenhados para provocarem mais reacções quando esta se manifesta e, logo, por estas publicações serem mais rápida e amplamente disseminadas.
“As teorias da conspiração não são uma novidade no nosso Mundo. Aliás, parecem sempre ter existido”. Assim começa o artigo “Teorias da conspiração: uma perspectiva da psicologia” que partilho e que escrevi com o Miguel Ricou, publicado no final da semana passada no Público que procura responder a três perguntas que consideramos essenciais: Porque devemos estar hoje preocupados com as teorias da conspiração se sempre existiram?; Porque é tão importante compreender as bases do problema?; Para que mudanças que consideramos urgentes na sociedade este fenómeno pode concorrer?
O artigo reflecte sobre potenciais respostas a estas importantes perguntas em torno de um fenómeno que é hoje uma séria ameaça à saúde pública global e procura sustentar o porquê de enquanto sociedade termos “a responsabilidade de valorizar a diversidade e de sermos mais inclusivas e inclusivos e promotores de pontes entre as pessoas, diminuindo a sua marginalização e vulnerabilidade às teorias da conspiração e a outros fenómenos que impactam significativamente a sua possibilidade de bem-estar.”
Este artigo retoma uma “série” escrita pelo Miguel Ricou e por mim sobre questões que nos confrontam e desafiam na sociedade actual – “PandÉtica” (Expresso; 06.04.2020); “PanDemocracia” (Público; 16.04.2020); “PanResposta” (Observador, 23.04.2020); “PanMemória” (Observador; 11.05.2020); “PanLegitimidade” (Visão, 23.05.2020); “PanPopulismo” (Público, 30.06.2020) ; “PanConspirações” (Visão, 05.08.2020); “PanInformação” (Observador; 05.09.2020). Podem, caso vos interesse, encontrá-los na secção artigos deste meu Linkedin.
Ps. Convido-vos ainda, caso também seja do vosso interesse, a ver uma conversa entre mim e a psicóloga Gabriela Moita para um episódio da série “Impaciência do Coração” sobre informação e desinformação que passa na RTP2 próxima quarta-feira (25.08.2021) um pouco antes das 23h.