Iniciei a minha formação em Psicologia no primeiro ano do novo milénio. Nesse 2001 um conjunto de profissionais da área da intervenção comunitária (parte hoje colegas), criava a “Crescer na Maior”, hoje @CRESCER. Associação que, ao longo destes 20 anos, cresceu da intervenção com crianças/jovens numa área geográfica reduzida para um conjunto amplo de geografias e de situações de vulnerabilidade: prevenção, redução de riscos e minimização de danos em consumidoras e consumidores de substâncias psicoactivas; prevenção do abandono escolar precoce, suporte a percursos de re(inserção) do mercado de trabalho e promoção da empregabilidade; apoio à inclusão de pessoas em condição crónica ou em situação de sem abrigo; apoio à inclusão social e comunitária de refugiadas e de refugiados; e apoio a pessoas em situação de maior vulnerabilidade (que acumulam várias das condições anteriores).
20 anos a crescer e a ousar cruzar conhecimentos e experiência que dia-a-dia a equipa adquiriu no trabalho e na relação com as pessoas que beneficiavam da sua intervenção, com a melhor evidência científica, também da ciência psicológica, suportando projectos inovadores: das equipas de rua (“É uma rua”), à metodologia housing first (“É uma casa”), aos Marhaba, “É um restaurante” e “É uma mesa”.
20 anos de resiliência numa área (intervenção comunitária) onde todas e todos sabemos (eu de experiência própria) cujos resultados não estão à distância de um estalar de dedos. Numa área onde persiste uma visão, muitas vezes das autoridades e de decisoras/es, tendente a que as pessoas que nela trabalham não necessitam de “muitas condições” porque ainda muito associada às importantes (mas insuficientes, não continuadas e muitas vezes pouco conectadas com a evidência científica) intervenções voluntárias. Numa área em que precisávamos de um Deus Grego que não o Chronos ou o Kairós para descrever o “tempo da intervenção comunitária” e os hiatos entre a necessidade do apoio, a sua disponibilidade e a sua efectivação, com tudo o que isso impacta em perda no resultado potencial da intervenção e, principalmente, em sofrimento e exclusão das pessoas.
20 anos de empenho e compromisso e de, no quadro de “frustrações” e de desafios muito complexos, existir sempre um sorriso e confiança na outra ou o outro, seja ela ou ele quem for. Um sorriso, um confiar e um braço que procura ligar, quem assim o deseja e no respeito mais integro dos seus direitos humanos (e da sua história e experiência), a uma relação, grupo e comunidade. Um braço que lá está também por cada um ou uma de nós e para cada uma ou um de nós e que representa fielmente a promoção da coesão social e da autodeterminação e do bem-estar de todas e todos – afinal, o que me fez e faz ser psicólogo.

20 anos onde a sua zona de conforto, conforme a campanha que lançaram, sempre foi “abaixo do radar (mediático)” mas em que o desconfortável foi (é e será) “não poder ajudar”. Conheçam. Envolvam-se. Muito obrigado, Crescer.