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Ao redor... (Revista Sábado) Democracia Psicologia

O valor da amizade…

17%. Menos de 1 em cada 5 portuguesas e portugueses respondem que se pode confiar à pergunta: “De uma forma geral, acha que se pode confiar na maioria das pessoas ou, pelo contrário, acha que todo o cuidado é pouco?”. Metade da percentagem relativa a Espanha e apenas entre um terço e um quarto da dos países normalmente apelidados de nórdicos, de acordo com o Estudo dos Valores Europeus 2017-2020 recentemente divulgado e cujo relatório sublinha que este dado revela “a convicção [das portuguesas e dos portugueses] de que o capital cívico da sociedade [portuguesa] é baixo” e se apresenta como um “obstáculo à cooperação”.

“O valor da amizade”, 10º artigo da rubrica “Ao redor…” (REVISTA SÁBADO) procura reflectir, neste tempo incerto que vivemos, sobre a confiança interpessoal e sobre o diálogo “nós – outras ou outros” enquanto poderosa e distintiva ferramenta e traço do ser humano, também pela sua dimensão simbólica. Viaja ao passado para lembrar a vantagem evolutiva que representou. Lembra no presente o seu papel “importantíssimo na possibilidade de bem-estar, no desenvolvimento de competências e da resiliência e na capacidade de nos adaptarmos à adversidade e aos acontecimentos de vida”. E pensa como no futuro será muito complexo para a inteligência artificial, mesmo aproximando-se da “cópia” das redes neuronais e do cérebro humano, “traduzir artificialmente o que resulta da interacção e comunicação (da linguagem e do simbólico) entre duas ou mais pessoas e essa apaixonante triangulação humana entre emoção, cognição e comportamento”.

O artigo procura pensar as relações e, particularmente, a amizade também em dois exemplos de forte actualidade – equilíbrio entre vida pessoal e profissional (contextos de trabalho como contextos por excelência de socialização na idade adulta) e polarização / tribalismo (criação de espaços de comunicação e confiança que como “campos electromagnéticos” potenciem órbitas, limitem o afastamento e previnam a polarização) – e defender a importância de “intencionalizarmos e ritualizarmos as relações e a amizade” para “pela relação e pela confiança das amigas e amigos, reforçarmos o diálogo entre nós e as outras e os outros, promovendo a empatia e exponenciando a nossa possibilidade de bem-estar e as redes de cooperação nas comunidades e na sociedade”.

Ps1. Um profundo e muito grato obrigado às minhas amigas e aos meus amigos;

Ps2. Porque chegamos a um número redondo de artigos na rúbrica “Ao redor…” convido-vos a ler ou reler os 9 anteriores na sua versão completa meu Lkd (secção artigos) ou aqui.

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