Termina agora mais uma semana recheada de vigorosos debates públicos. Das novas etapas e regras do “plano de desconfinamento” à saída de Portugal da lista verde do Reino Unido, passando por uma marquise em Lisboa e pelo Plano 21|23 Escola+. Temas bastante diversos mas que confluem, com a pandemia como pano de fundo, na possibilidade de bem-estar e na qualidade de vida.
Até poucos dias antes de eu nascer foi Ministro de Estado e da Qualidade de Vida Gonçalo Ribeiro Telles, talvez a personalidade que mais pensou o direito à paisagem e o espaço e a sua utilização como relevantes na qualidade de vida. Penso em como ecoaria a polémica marquise na sua reflexão e lembro uma frase sua numa entrevista ao “Expresso” onde “confessava” ter perdido uma filha (ainda jovem) e como isso “ajuda a perceber onde estamos, as fragilidades que temos” e que “todos temos os mesmos problemas e as mesmas dificuldades” embora não se podendo “resolver de igual maneira”. Os mesmos problemas e dificuldades potenciais a necessitarem de apoio / suporte diferenciado algo que, ainda que faltando conhecer em detalhe, é procurado no Plano de investimento para Recuperação das aprendizagens, também pela recuperação do bem-estar das/os alunas/os, apresentado esta semana (o 21|23 Escola+).
Além de ter proposto um “Crescer-19”, no final da semana passada, no 8º Encontro Psicologia em Contexto Educativo organizado pelo Politécnico de Leiria, numa conferência intitulada “Reflexões sobre o passado e as implicações e resposta à pandemia COVID-19 no papel e contributo da Psicologia em contextos educativos”, abordava em 3 “actos” a evolução da percepção e do papel da ciência psicológica e das psicólogas e dos psicólogos na resposta aos desafios do país, comparando os impactos da crise sócioeconómica da última década nos contextos educativos face à pandemia COVID-19 e o quanto se discutiu e recorreu à Psicologia nesse momento face a hoje.
Com tanto caminho ainda por percorrer, o já percorrido foi imenso e com resultados tangíveis – por exemplo no abandono escolar precoce. Como imensos são os desafios pela frente e a responsabilidade que este caminho nos confere (a nós psicólogas/os) num cientificamente sustentado contributo e em equipa para o bem-estar e para a qualidade de vida, sem deixar ninguém para trás.