No “O Futuro por contar”, Krastev afirma que a ciência psicológica tem demonstrado que as pessoas voltam a falar as suas línguas maternas em momentos de grande perigo ou incerteza. Recorda e recordou-me um livro que li há muito que focava um dos principais perigos para as espiãs soviéticas colocadas na Alemanha governada pelo “partido nazi”: o parto, porque, involuntariamente, “falavam” / “gritavam” o seu russo materno.
Voltamos à língua materna. Voltamos a “casa”. Ao que nos é seguro. Ao que nos serve de referência e, não raras vezes, confere o propósito essencial a darmos significado à experiência (por vezes limite) que, desafiando-nos, nos traz incerteza.
Na dialética possível da imensa “perda” associada ao período que vivemos, em particular para as pessoas com maiores vulnerabilidades, algum do “ganho” que a situação que vivemos poderá permitir advirá da reflexão sobre a importância do retorno ao que nos serve de referência e ao lugar (cidade) que pode construir-se e desenvolver-se enquanto espaço (cidade) educador(a). Sobre isso e com o mote (“A cidade como espaço de aprendizagem ao longo da vida”) reflecti em Setúbal na passada semana, moderando uma mesa onde o Luís Oste apresentou o impactante e sólido projecto de Mação e a Ana Luísa Pires a complexidade dos fenómenos educativos.
Aqui deixo, a quem possa interessar (a partir do minuto 74).