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Voracidade…

Por estes dias pudemos confirmar a actual voracidade do tempo e da comunicação no espaço público… nos últimos 4 ou 5 dias, ainda as Autárquicas, as Presidenciais, as Leis dos “Estrangeiros” e Nacionalidade, o relatório do trágico acidente do Elevador da Glória, o debate sobre a proposta de projecto de Lei sobre as “roupas destinadas a ocultar ou a obstaculizar a exibição do rosto”, os julgamentos e crimes bastante mediatizados, os conflitos armados Mundo fora, etc, etc.

Tudo isto e a perda de Francisco Pinto Balsemão (e agora mesmo de Laborinho Lúcio), verdadeiros democratas, conforme tantas e tantos não se têm cansado e não se cansarão de, bem, sublinhar. O primeiro, aliás como o segundo, “dono” de um “projeto de sociedade, que nunca abandonou”, conforme Clara Ferreira Alves anotou. “Uma sociedade livre e civilista, sem tutelas militares ou policiais ou autocráticas. A sociedade civil era o sonho que ele ajudou a tornar realidade.”

É. Mesmo que nem todas as pessoas concordem com tudo (como poderia ser de outra forma?), assistimos nas últimas horas ao reconhecimento do legado de uma figura ímpar da democracia e liberdade. Uma pessoa que sempre lutou por uma sociedade civil, livre, civilista e empoderada. Atenta e com agência face aos problemas e às dificuldades que se colocam a nós próprios mas, também e particularmente, às outras e outros, particularmente às e aos com maiores vulnerabilidades. Uma sociedade civil, livre, civilista e participativa. Capaz de identificar e debater as necessidades e expectativas e de co-construir e implementar potenciais soluções que melhoram a vida das pessoas e das comunidades.

Um exemplo? O tenho “Voto na Matéria”, promovido pela UNICEF e cuja

edição de 2025 (https://lnkd.in/dUb5qxHe) demonstra que as “preocupações das crianças e jovens estão a mudar” e que a “pobreza e o custo de vida estão, pela primeira vez, entre as maiores preocupações de crianças e jovens, a par da saúde mental, discriminação e segurança digital”. Ora, não fora a voracidade deste nosso tempo e, talvez, ainda estivéssemos a viver ecos das “comemorações” próximas do Dia Mundial da Saúde Mental (10.10) e o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (17.10).

Entendo e entendemos que parte do meu e nosso, Fundação Mendes Gonçalves, contributo é, junto da nossa comunidade e do nosso país, contribuir(mos) para estes temas também a partir do empoderamento e participação das pessoas e da sociedade civil. Partilho duas participações enquadradas nesse objectivo: a) um trabalho publicado no dia 10.10.2025 no Jornal Notícias de Ourém sobre Saúde Mental; b) A participação num evento, promovido anteontem pela Just a Change que tratou a (in)dignidade habitacional e, no caso da minha mesa, a sua relação com a saúde mental.

Temas fundamentais e preocupações “reais”, infelizmente por vezes secundados pela “voracidade” do tempo. Temas fundamentais à tal “sociedade livre e civilista”, de oportunidades para todas e todos puderem florescer e cumprir-se.

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