“Os acasos felizes acontecem quando saímos de casa e estamos abertos aos outros”, disse…
…Em resposta à pergunta “O que pode contribuir para minimizar o azar? Ou encontrar acasos felizes?”, feita pela @Clara Soares, no âmbito de uma entrevista/contributo que partilho para um trabalho maior intitulado “A ciência da Sorte”, parte da penúltima edição da Revista @Visão.
Nela procuro contribuir para a reflexão sobre este tema a partir dos contributos da ciência psicológica. Abordo, desde logo, a serendipidade – processo de desenvolver ou encontrar coisas felizes, úteis ou interessantes por acaso – para muitas pessoas uma forma especial de criatividade, e o quanto depende da perseverança, da inteligência (particularmente a “fluída”) e do sentido de observação e empatia com o que e quem nos rodeia.
Falamos de incerteza, de imprevisibilidade, e do quanto ontem, como hoje, as lendas, o pensamento mágico, as mezinhas também resultam de uma tentativa de maior controlo por parte das pessoas e funcionam como estratégias para lidar com essa incerteza, da própria pessoa ou das outras pessoas. Reflectimos sobre profecias que se auto-realizam, nomeadamente sublinhando como a expectativa (negativa ou positiva) influencia o nosso comportamento e as emoções associadas a determinados fenómenos e quanto isso implica (negativa ou positivamente) o nosso foco e comprometimento, impactando o resultado final e contribuindo para essa percepção da auto-realização das expectativas.
Discutimos ainda o papel do “viés do mundo justo” e de uma tendência nossa (humana) para uma atribuição causal de tudo quanto nos sucede e de como isso – por exemplo nas situações de pobreza ou violência – pode resultar numa (auto)atribuição de culpa/responsabilidade a quem vive determinada situação. Noutro sentido, falamos também do “viés da sobrevivência” e de como tendemos a olhar para casos absolutamente excepcionais como se fossem “comuns”, esquecendo que o mais natural é o que sucede com o(s) que não é(são) excepcional(ais).
Termino com a necessidade de abertura ao que nos rodeia e às outras pessoas, também com empatia, como veículo para os tais acasos felizes e o quão importante ao bem-estar é a capacidade de adaptação, de transformação do que nos acontece e de alguma “higiene de informação”, prevenindo uma visão do Mundo como um lugar “perigoso e azarento”. Com elas e com o quanto, as oportunidades de sentirmos propósito, contribuem para o meu e nosso bem-estar…
…Para que sinta o quanto a vida me ter dado oportunidades para me sentir realizado.