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IDAHOT 2022

Ontem, dia especial para a minha família, comemorou-se o IDAHOT – Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. Data que alerta para a necessidade de combate feroz a todas as formas de exclusão e violência sobre pessoas LGBTI+.

Dia que, simbolicamente, correspondeu à aprovação em Espanha de um anteprojecto de Lei do Aborto que, além de reformar a actual Lei, procura reforçar e regular direitos e obrigações na área da saúde sexual e reprodutiva, reforçando o papel das Escolas na Educação sexual. Por cá, o Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e a Secretária de Estado da Igualdade e Migrações assinalaram o caminho percorrido pelo país, hasteando a bandeira arco-íris lado a lado com a de Portugal na Presidência do Conselho de Ministros.

A mim fez-me recuar cerca de 30 anos, 15 anos, 8 anos e duas semanas, a quatro momentos que vivi e que, também simbolicamente, representam uma viragem muito significativa, embora ainda insuficiente, na forma como a Educação e a Escola em Portugal se relacionam com a equidade e inclusão, como integram no seu seio e na sua prática a questão dos direitos humanos e a resposta aos principais desafios societais e como a ciência psicológica e as psicólogas e psicólogos nisso contribuem.

Fez-me recuar a 1989, quando ingressei numa Escola tão distinta da de hoje, dois meses antes da Queda do Muro de Berlim. Faz-me recuar a 2005, ano dos atentados de Londres, quando, primeiro em estágio académico e depois como psicólogo e coordenador de projecto, iniciei um percurso profissional numa Escola também de 1º ciclo e acompanhei um conjunto de transformações. Fez-me recuar a 2014, ano da anexação da Crimeia pela Rússia, e recordar a assinatura do protocolo de colaboração entre a Direcção-Geral da Educação e a Ordem dos Psicólogos Portugueses, que desde esse momento tem enquadrado colaborações importantes que incluem a organização conjunta de um Seminário anual de Psicologia e Educação.

Fez-me, finalmente, recuar à sua 9ª edição (Figueira da Foz, 05.05.2022) onde, num momento em que vivemos um Guerra na Europa, resultante da recente escalada da invasão ilegítima da Ucrânia pela Rússia, participei numa conversa em torno da “Promoção de Resiliência, Prevenção da Violência e Construção da Paz” com a Anabela Caetano Santos (que apresentou o interessante projecto RESCUR, de promoção da resiliência) e a Sofia Neves, colega que, não apenas mas muito a partir da Associação Plano i, tem contribuído para a prevenção de múltiplas formas de violência, incluindo as referentes às dimensões do género e da orientação sexual.

Da conversa sobra a reflexão desta mudança profunda e importante (embora, reforço, ainda insuficiente) em curso na Educação e na Escola. Da conversa sobra o “combate” ao que, também ontem e em declarações ao Público, o colega Jorge Gato referia como “a experiência de invisibilidade”, com tudo o que isso implica para a/o própria/o, para quem a/o rodeia e para a sociedade.

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