Ontem passaram 2 anos do dia (13.3.20) em que a Ordem dos Psicólogos Portugueses criou o gabinete de crise COVID-19 que coordeno. Em 13.3.21 publiquei esta mesma imagem e escrevi: “Ano incerto, intenso e exigente, que nos colocou à prova nas capacidades de adaptação, resiliência e de superação. Ano em que a responsabilidade (propósito) que me foi confiada – a par do apoio/carinho da nossa casa, do empenho de toda a nossa OPP e da inspiração de tantas pessoas, incluindo colegas psicólogas/os – foi essencial ao meu bem-estar.”

Reflectia, grato pela confiança em mim depositada (agradeço ao Francisco Miranda Rodrigues) para uma tarefa de enorme responsabilidade, suportado numa equipa de um empenho incrível e por centenas de psicólogas/os que se envolveram no desenvolvimento/operacionalização do conjunto significativo (e importante a muitas pessoas) de iniciativas, contributos e recursos disponibilizados pela OPP. Acções que complementaram o trabalho imenso das/os cerca de 25.000 psicólogas/os que, ao longo destes 2 anos, mesmo com desafios/dificuldades consideráveis à sua intervenção, um pouco por todo país e em todos os contextos, estiveram junto das pessoas num período de disrupção das suas vidas, de perda e em que se viram desafiadas na sua saúde psicológica e bem-estar.
Hoje caminhamos já para uma 6ª vaga. Mas hoje a COVID-19 não é já o tema central. Também pelo que se avançou na gestão da pandemia mas, particularmente, pela angustiante invasão de um país Europeu e uma catastrófica guerra, com significativas consequências no presente e para o futuro da Ucrânia, da Europa e do Mundo. Uma Guerra que traz perdas, trauma. Incerteza e imprevisibilidade. Que questiona Direitos Humanos e que afecta, ainda que de forma distinta, todas e todos. Uma Guerra que reforça a necessidade de contributo da ciência e da prática das/os psicólogas/os na reparação e recuperação das pessoas e na necessidade de construção, em qualquer momento e lugar do Mundo, da Paz. Uma Guerra que nos volta a ocupar como grupo de missão e que, mais uma vez, levou a que já dezenas de psicólogas/os se envolvessem no contributo da OPP nesta grave crise.
Há um ano, também escrevi: “Pensar um dia pode passar por pensarmos 3 aspectos bons dele (aumenta a percepção de controlo) e agradecermos/celebrarmos algo com alguém (aumenta o sentimento de pertença). Faço-o, assim por importante, para este ano. Muitos desafios nos esperam. As pessoas e o país precisam de mais (e melhor) psicologia junto de si.” Reescrevo-o hoje com a mesma convicção e com a certeza reforçada da necessidade de desenvolvermos a nossa ciência e profissão para cada vez mais e melhor podermos contribuir para a autodeterminação e possibilidade de bem-estar de todas/os. Para a equidade e coesão social.
“O Mundo ou será salvo pelos psicólogos ou não será salvo de todo”. 64 anos após esta frase de Maslow, conhecemos, a cada dia mais, o contributo da psicologia para um Mundo “salvo”. Um Mundo de Direitos Humanos globais e de Paz.