54 dias.
“Podemos pensar e perguntar-nos sobre o que poderia ter acontecido de diferente, com comportamentos e decisões diferentes das tomadas, entre a data possível de confirmação do primeiro caso de COVID-19 em Wuhan a 01.12.19 (data referida por entidades e organizações internacionais, mas não confirmada, sendo mesmo negada pelas autoridades da China) e o dever de recolhimento obrigatório decretado nesta região 54 dias depois, em 23.01.20.”
“A desconfiança, a negatividade, a ética e os próximos 54 dias”, 74º artigo da rubrica “Ao redor” trata os próximos 54 dias que nos levarão às eleições legislativas e termina acrescentando ao anterior que “podemos pensar de que forma podemos, enquanto pessoa e enquanto parte de uma comunidade, chamar a este tempo mais ciência, evidência, respeito, ética e centralidade às instituições, à Constituição e aos Direitos Humanos, contribuindo para 54 dias que reforcem a confiança, a esperança, o compromisso e a ética. Para 54 dias que promovam um foco, também, no bem-estar de todas e todos e no bem-comum. Que nos permitam ver outras e outros ao redor, em Portugal e no Mundo, e ter presente, sempre, o legado e a justiça intergeracional para com as gerações que nos sucederão.”
No artigo reflicto, também, sobre a sociedade hoje, particularmente, num ano com um número “de eleições impressivo, com crescimento de partidos/personalidades populistas e radicais, menor tolerância ao erro, mais elevadas expectativas e rápidas e profundas alterações sociais, culturais e demográficas. Isso em “plena “crise da confiança” e de menor proximidade percebida dos maiores partidos (“catch all parties”) às pessoas, suas necessidades, desejos e expectativas.”
Discuto, também, as consequências destas situações serem “estímulo para uma tentativa de maior controlo do ambiente mediático e político”, “incentivo para “tudo se prometer”, independentemente da capacidade ou possibilidade para se cumprir, “fulanizando” as campanhas e diminuindo a capacidade de atração de eleitoras/es pela adesão ao projecto, reforçando-se a atração por “repulsa” aos adversários.
É “também por isso que todas e todos […] temos um papel fundamental nestes 54 dias que nos levarão às eleições. O de prevenir que se utilize a desconfiança, a negatividade e a ética apenas com intuitos políticos e populistas, desconsiderando-os efectivamente. O de utilizar o conhecimento disponível sobre como nos comportamos e tomamos decisões como antidoto para este impulso e como força para combatermos uma política de ressentimento, de medo, de ódio, de promoção da impossibilidade de construção conjunta e de debate e conflito construtivo e salutar.”
Que o façamos. Por todas e todos.