Não sei quando ouvi pela primeira vez um podcast. Certamente não terá sido há muitos anos, mas, como outras coisas que gostamos e/ou rotinamos, se não reflectir sobre isso, sinto como se tivessem sempre existido. Acompanham-me, muitas vezes, quando viajo, como com muitas e muito de vocês, imagino. Acompanham-me, quase sempre, em momentos de rotinas e em algumas actividades quotidianas. Acompanham-me porque gosto, porque me estimulam, porque me fazem companhia, porque, por vezes, me divertem.
Alguns dão-me oportunidade de ouvir, na primeira pessoa, pessoas com quem muito aprendo e descubro, que me inspiram, que admiro. Por vezes, também, pessoas com que nem sempre concordo, permitindo-me expandir os meus pontos de vista e pensar outras posições e visões que não a minha.
Recomendo podcasts, portanto. E podia recomendar vários que tratam a sociedade, a política, a história, a cultura, a saúde, incluindo a saúde mental, ou a psicologia. Alguns nacionais (desde logo os da @Ordem dos Psicólogos Portugueses), outros internacionais. Mas, hoje, recomendo um episódio específico de um podcast específico chamado “Geração 70”, produzido pelo @Expresso.
O podcast gira em torno de um conjunto de conversas entre duas pessoas nascidas nos anos 70, conversas muito bem dirigidas pelo @Bernardo Ferrão que, neste episódio específico, a tem com o José Luís Peixoto.
Trago-o porque, creio, permite uma viagem, a partir do presente, ao passado e à forma como este está sempre presente (diz o José Luís Peixoto, “Galveias [onde cresceu] está sempre comigo”). Trago-o porque aborda “a vontade que os [seus] pais tiveram que [estudasse]” e o quanto isso o mudou conforme, essa vontade, de outras/os pais como os meus, mudou tantas outras vidas, como a minha. Trago-o porque aborda o papel que a carrinha da Calouste Gulbenkian teve no seu gosto pela leitura, como teve no meu, primeiro, continuado depois pelo (vendedor do) Círculo de Leitores. Trago-o porque estou certo que partilho, consigo, parte deste património mas trago-o, essencialmente, porque contextualiza o “Morreste-me”, livro/conversa sua ao seu pai, após a morte precoce deste.
Livro que sei onde li (Amieira), quando li (2010) e porque li. Livro que trata esse passado, presente, porque “quem perde sabe que as pessoas que amamos ficam, ficam em tudo, ficam nas coisas em que tocaram, naquelas que construíram para nós, ficam nos locais por onde passámos juntos, as pessoas que amamos continuam a viver lado a lado com a gente…”, conforme escreveu José Luís Peixoto.
Sabe… Sei, sabemos.
Ouçamos as e os outros. Pensemos com eles e elas. Vivamos e construamos juntos.