Yesterday, mítica música dos míticos Beatles, trata o passado como um tempo de ausência de problemas ou dificuldades (“all my troubles seemed so far away”) e um tempo em que se pode acreditar (“oh, I believe in yesterday”). Se todas e todos certamente já a ouvimos, parte de nós não saberá que Paul McCartney afirma que a sua melodia surgiu de um sonho seu.
“Sonhar”, 9º artigo da rubrica “Ao redor…” (Revista Sábado) pensa este magnético verbo – sonhar – e a forma como se associa à possibilidade de “voar” e de nos “guiar” de um eu para outro eu, de um acontecimento para outro acontecimento, de uma realidade para outra realidade. Como permite que nos projectemos, aceitando e rejeitando-nos, aceitando e rejeitando outras e outros. Como permite que “resolvamos problemas, reparemos, sejamos criativos e nos inspiremos”. Mas, também, como é desigual a nossa possibilidade de sonhar, por dependente do contexto, dos recursos, confiança, segurança e logo da saúde psicológica de cada pessoa e da coesão social das sociedades.
Porque, complementarmente à música Yesterday, creio que devemos construir possibilidades para um futuro de florescimento, cumprimento e propósito (um tempo em que se pode acreditar), afirmo no artigo a necessidade de se desenvolver um contexto que facilite, promova e suporte o sonho baseado na saúde psicológica e na redução dos atritos baseados nas iniquidades e desigualdades. “Por um Mundo [melhor] em que temos direito a sonhar e, com o sonho, a voar.”