“Conclui que a única razão para estar viva é para contar o que aconteceu, para que compreendam”, diz K. Imori, a única sobrevivente de uma Escola de Hiroshima à “Little boy”, nome (paradoxalmente) dado à bomba atómica que destruiu a sua comunidade. Depoimento parte do doc. “White light black rain” de 2007, ano da COP13 e da atribuição ao IPCC (a par de Al Gore) do prémio nobel da paz também pelado seu 4º relatório sobre alterações climáticas (para muitas e muitos o documento que 1º traduz o “consenso científico” sobre o papel do ser humano na crise climática).
Viver para contar, conforme Gabriel García Márquez titulou o seu livro de memórias. Contar para compreender e promover a compreensão, garantindo agenciamento, capacidade de acção e, no possível, controlo. Contar para incentivar, partilhar, contagiar. Contar para unir.
Na COP26 ouvi contar… Histórias de quem já hoje, por ex. nas Fiji, sofre significativamente com as alterações climáticas; Ciência por cientistas que, inequivocamente, demonstram os problemas e causas e apresentam soluções possíveis; Iniciativas de jovens e menos jovens, envolvidas/os em ONG em diferentes áreas e/ou activistas pela acção climática; Desafios que decisoras e decisores vivenciam na procura das melhores respostas para um problema complexo e com tantas nuances. Ouvi contar dentro e fora do Centro de Eventos, de “pessoas comuns” a prémios Nobel, em tantas línguas. Ouvi contar, a cada história, a dimensão humana, o comportamento e a tomada de decisão. Ouvi contar como, nesta crise, a psicologia é essencial, em múltiplos e diversos aspectos e momentos da sua resposta.
Ouvi e senti que – conforme a consciência do e envolvimento no problema é fundamental à mudança (do nosso) comportamento – a consciência deste papel da ciência e da prática psicológica traz-nos a imensa responsabilidade de desenvolvermos mais a ciência psicológica e garantirmos práticas de excelência neste âmbito, prevenindo sofrimento e contribuindo para a possibilidade de florescimento das pessoas e sociedades.
A OPP procurou fazê-lo ao organizar com a APA em Portugal (2019) a Summit da qual resultou a Global Psychology Alliance que representei com a Sofia Ramalho e colegas de outros países na COP26. Mobilizar a psicologia para apoiar a mobilização eficaz da resposta para a crise climática, para uma mudança com (e não contra) as pessoas e pelo bem-estar.
No doc., S. Sasamori (outra sobrevivente), diz perguntar-se como teria sido a sua vida “sem a bomba” sabendo “que seria muito diferente”. Com as devidas diferenças, penso como seria a nossa e das futuras gerações sem a crise climática. Diferente mas, talvez, menos boa. Porque vejo sinais de que pode a mudança inevitável que aí vem pode contribuir para um Mundo com mais oportunidades de bem-estar, equidade, coesão social para todas/os. Assim o senti em Glasgow. Que a “onda (gigante) de preocupação” resultará, passo a passo com o objectivo comum, numa “espuma de mudança”. Oxalá assim o sintam, comigo.
“Conclui que a única razão para estar viva é para contar o que aconteceu, para que compreendam”, diz K. Imori, a única sobrevivente de uma Escola de Hiroshima à “Little boy”, nome (paradoxalmente) dado à bomba atómica que destruiu a sua comunidade. Depoimento parte do doc. “White light black rain” de 2007, ano da COP13 e da atribuição ao IPCC (a par de Al Gore) do prémio nobel da paz também pelado seu 4º relatório sobre alterações climáticas (para muitas e muitos o documento que 1º traduz o “consenso científico” sobre o papel do ser humano na crise climática).
Viver para contar, conforme Gabriel García Márquez titulou o seu livro de memórias. Contar para compreender e promover a compreensão, garantindo agenciamento, capacidade de acção e, no possível, controlo. Contar para incentivar, partilhar, contagiar. Contar para unir.
Na COP26 ouvi contar… Histórias de quem já hoje, por ex. nas Fiji, sofre significativamente com as alterações climáticas; Ciência por cientistas que, inequivocamente, demonstram os problemas e causas e apresentam soluções possíveis; Iniciativas de jovens e menos jovens, envolvidas/os em ONG em diferentes áreas e/ou activistas pela acção climática; Desafios que decisoras e decisores vivenciam na procura das melhores respostas para um problema complexo e com tantas nuances. Ouvi contar dentro e fora do Centro de Eventos, de “pessoas comuns” a prémios Nobel, em tantas línguas. Ouvi contar, a cada história, a dimensão humana, o comportamento e a tomada de decisão. Ouvi contar como, nesta crise, a psicologia é essencial, em múltiplos e diversos aspectos e momentos da sua resposta.
Ouvi e senti que – conforme a consciência do e envolvimento no problema é fundamental à mudança (do nosso) comportamento – a consciência deste papel da ciência e da prática psicológica traz-nos a imensa responsabilidade de desenvolvermos mais a ciência psicológica e garantirmos práticas de excelência neste âmbito, prevenindo sofrimento e contribuindo para a possibilidade de florescimento das pessoas e sociedades.
A OPP procurou fazê-lo ao organizar com a APA em Portugal (2019) a Summit da qual resultou a Global Psychology Alliance que representei com a Sofia Ramalho e colegas de outros países na COP26. Mobilizar a psicologia para apoiar a mobilização eficaz da resposta para a crise climática, para uma mudança com (e não contra) as pessoas e pelo bem-estar.
No doc., S. Sasamori (outra sobrevivente), diz perguntar-se como teria sido a sua vida “sem a bomba” sabendo “que seria muito diferente”. Com as devidas diferenças, penso como seria a nossa e das futuras gerações sem a crise climática. Diferente mas, talvez, menos boa. Porque vejo sinais de que pode a mudança inevitável que aí vem pode contribuir para um Mundo com mais oportunidades de bem-estar, equidade, coesão social para todas/os. Assim o senti em Glasgow. Que a “onda (gigante) de preocupação” resultará, passo a passo com o objectivo comum, numa “espuma de mudança”. Oxalá assim o sintam, comigo.