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Fundação Mendes Gonçalves Psicologia

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Estórias abensonhadas. Lembro bem, também porque o recordo muitas vezes, o jardim onde li parte dos contos deste livro do Mia Couto. Como me lembro dele, também, pela curiosidade que me despertava e desperta a forma como, quais legos, construía e constrói palavras com outras palavras.

Como no fundo transporta para a escrita o que pensa de nós, pessoas, conforme escreveu noutro conto, mas de um outro livro: “Porque a pessoa é, em todo o tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens” (seres humanos, diria eu).

Bem o compreendo e sinto por estes dias.

Depois da Teresa Raquel Pereira, que saiu, primeiro, para a porventura mais bela tarefa de uma vida (dar vida) e que hoje coordena a área “Smart Child” da Fundação Primavera, na sexta-feira foi o último dia de trabalho connosco da Quaiela Costa. Daquela nossa task-force inicial de 4 pessoas que apoiaram a instalação da Fundação Mendes Gonçalves, particularmente entre janeiro e abril de 2025, passamos a restar apenas nós, Maria Beatriz Filipe.

Os quatro sabemos como foram aqueles dias, semanas, meses. Intensos, “abensonhados”. Acho que também sabemos e sentimos (pelo menos eu sei e sinto) que, quando nos cruzamos, verdadeiramente, com um conjunto de pessoas com quem temos um objetivo e propósito comum, “saímos” diferentes de como “entrámos”. Vemos, fazemos, sentimos e somos de forma diferente. E contribuímos para que outras e outros vejam, façam, sintam e sejam de forma diferente.

Penso mesmo (e muitas vezes) que uma das mais bonitas formas de impacto de uma entidade da economia social como é a nossa Fundação Mendes Gonçalves e minha, a partir do meu atual papel e responsabilidade, é conectar pessoas com uma visão e missão que possa nelas ficar, sempre. Que possa influenciar que em cada papel futuro, pessoal ou profissional, lá esteja a sensibilidade, a responsividade, a atenção ao outro e ao que a/o rodeia.

Mais, no nosso caso, a ideia maior da filantropia de proximidade e a crença baseada na agência de que é possível, também pela educação, nutrição e regeneração, um mundo melhor com mais possibilidades de bem-estar e futuro para todos. Teresa Raquel Pereira e Quaiela Costa, levam-no para sempre convosco? E fazem por se cumprirem e estarem bem?

E nós Maria Beatriz Filipe, hoje com a Inês Queiroz, o Manuel Paiva dos Santos, a Vanessa Esteves e, de certa forma, a Liliana Oliveira e a Madalena Bento (e “amanhã” com as duas pessoas que brevemente se juntarão), continuamos este nosso caminho, “abensonhado”?

Tenho muita sorte por o poder fazer convosco e por, todos os dias, me fazerem ver, fazer, sentir e ser de forma diferente…

“Porque [sou], em todo o tempo, ainda nascente”.

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