Quando, a viajar, estou num lugar que conheço menos bem, podendo, procuro correr nele, juntando gostos: esse, correr; esse, viajar, também correndo por ruas, dinâmicas e sensações diferentes, cruzando-me com outras pessoas nas suas atividades quotidianas.
Há alguns anos estive em Goldsmiths, uma Faculdade da University of London onde se lecciona/investiga psicologia. Fiquei lá próximo (New Cross) e numa manhã corri até ao Hyde Park. Corri de um lugar onde a esperança média de vida saudável para os homens é de 57,8 anos até outro onde é 67,7 anos (dados de 2025). Cerca de 10km, numa das principais capitais e cidades do Mundo, 10 anos de diferença.
“Envelhecer é uma experiência muito diferente para pessoas diferentes. Onde vivemos ou quanto dinheiro ganhamos são fatores importantes e moldam a nossa saúde quando somos mais velhos”. Di-lo Sarah Wilkinson, num relatório do Centre for Ageing Better, que afirma “que a esperança de vida saudável caiu para os níveis mais baixos no UK desde que os registos começaram há 15 anos, enquanto a diferença entre diferentes comunidades locais também atingiu os valores mais elevados de sempre nos homens.”
Outros ângulos haveria – a participação, resiliência, democracia, o bem-estar – mas trago este exemplo para que pensemos na relevância de trabalharmos com e a partir da comunidade, procurando respostas para os desafios (e oportunidades) específicos com que cada uma se confronta. Vem isto a propósito da oportunidade que tive de trazer esta dimensão de contributo para uma conversa sobre a importância dos dados no reimaginar da filantropia.
A convite da Rede Capital Social (obrigado!), com moderação da Inês Sequeira (muito obrigado!) comentei este tema com pessoas muito importantes para mim: o Ricardo Garcia, que tem sido um apoio e estímulo constante nestas minhas funções; o Pedro Calado, por quem nutro uma enorme admiração e que – como tive oportunidade de explicar – é responsável em grande medida pelo caminho profissional que percorri.
Comentei-o a partir da experiência da nossa Fundação Mendes Gonçalves e de como sentimos que o reimaginar da filantropia também pode decorrer de a aproximarmos (na participação, nas propostas/respostas e na relação) das pessoas, comunidades e de processos de co-construção e responsabilização. Como os dados ganham nome, história, experiências e como se pode construir em comunidade confiança para a entidade e para o sector.
Falei, também, de bem-estar e da população mais jovem e sua participação, mas a isso voltarei em breve. Hoje queria sublinhar a necessidade de colaborarmos para construir comunidade e para criar lugares mais resilientes e com mais oportunidades de bem-estar e futuro para todos. Queria sublinhar o papel que as Fundações Comunitárias e uma filantropia de proximidade podem nisso, e no aumento da confiança no sector, assumir e, simultaneamente, dizer que espero que quem me e nos ouviu possa tê-lo levado conseguido enquanto reimaginção possível da filantropia.